sábado, 17 de novembro de 2012

100 ÁLBUNS ASSUSTADORES #73


O francês Hector Zazou é um exímio coleccionador de sonoridades. Quem conheça o seu trabalho sabe da elegância com que remistura melodias, vozes, ritmos provenientes das mais diversas coordenadas geográficas. A universalidade da sua música revela-se no carácter cosmopolita mais ou menos evidente em cada um dos trabalhos que compõem uma carreira iniciada na década de 1980. Filho de um francês com uma espanhola, nascido na Argélia, é provável que lhe esteja no sangue esta miscigenação criativa. Chansons des Mers Froides (1994) faz o pleno, reunindo, sob o signo do mar, vozes populares como as de Suzanne Veja e John Cale, Björk ou Siouxsie, entre valores tão estranhos quanto incontestáveis da chamada world music como as nórdicas Värttina, o finlandês Vimme Saari ou a japonesa Tokiko Kato. Zazou desdobra-se por vários instrumentos, sempre muito bem acompanhado, e concentra-se nas programações como quem encena uma peça. O resultado é deveras cativante, oscilando entre o tom contemplativo e a pura celebração da Natureza. Misturam-se línguas, ambientes, ritmos, numa tela onde os contrastes nunca se chocam, antes nos levam a crer numa afinidade que, afinal, tem a sua razão de ser na origem de tudo. Somos filhos da terra, e a terra é, na sua maioria, mar. Somos filhos da água, do sal. Somos sal caminhando na terra.

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