quarta-feira, 28 de novembro de 2012

100 ÁLBUNS ASSUSTADORES #74

Lembrar-se-á o leitor amigo de Darin Pappas, o mais português dos tipos sem pátria que transformava pranchas de surf em esculturas. Nos idos da década de 1990 deu que falar, nomeadamente ao lançar dois excelentes álbuns de hip hop em Portugal: Flowers and The Color os Paint (1995) e Stellafly (1997). Que é feito do bicho? Não sei. Mas os álbuns ficaram-me por companhia. Darin Pappas ou Korvorowng ou Ithaka tem aquele perfil cosmopolita que muito nos agrada, ainda para mais por revermos nele um autodidactismo deveras apreciável. Escultor, músico, fotógrafo, escritor, homem dos sete instrumentos, com pinta, estilo, groove e uma coluna vertebral errante de meter inveja aos sedentários de Chelas. Flowers and The Color of Paint fez correr muita tinta. Desde logo, pela pior das dúvidas: deveria ser considerado música portuguesa? Como se pudesse a música admitir as fronteiras que os homens se impõem uns aos outros. Depois porque era hip hop com uma qualidade muito acima da média então registada por terras lusas. General D (quedê?) e Lince emprestaram vozes em alguns temas, João Paulo Feliciano deu guitarra a três temas, contando-se também entre as colaborações malta dos Cool Hipnoise (saudosíssima banda) e a poderosa voz de Marta nos mais soul dos coros alguma vez gravados em Portugal. Programações com uma toada urbaníssima (Sleepdriver, escutado agora, soa ao melhor Tricky) são quanto basta para marienetar os nervos do ouvinte, pondo os músculos a mexer e a anca a espanejar a atmosfera. Cai lindamente com os melhores tintos alentejanos em noites chuvosas como a de hoje. Garanto-vos.

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