terça-feira, 4 de dezembro de 2012

100 ÁLBUNS ASSUSTADORES #75


Johnny Cash é um daqueles raríssimos casos em que um nome se torna conceito. Subentendem-se géneros e tendências, matrizes, origens, na sua música. Mas o resultado final é sempre algo irredutível às influências. Detestando a palavra inspiração, julgo tratar-se de um daqueles autores onde o conceito faz sentido e ganha até uma dimensão única. A inspiração, em Johnny Cash, é mais do que a ressonância de uma transcendência indecifrável. É a própria transcendência. A sua voz di-lo, o modo como se coloca de guitarra a tiracolo e a inquietação que sempre o perseguiu. É uma questão de postura, talvez, adquirida, aprendida, inata (sabe-se lá onde). A sua carreira, há muito tomada, conquistou uma nova vitalidade com as american recordings da década de 1990. Basicamente, tratou-se de uma recuperação espiritual que consistiu na abertura à modernidade num percurso que teve na tradição uma fonte primordial. Seja como for, Personal Jesus, dos Depeche Mode, deixa de ser Depeche Mode nas mãos de John R. Cash . É Johnny Cash. O mesmo se passa com os temas dos Nine Inch Nails, Simon & Garfunkel, The Beatles, Nick Cave, U2, entre tantos outros, reinterpretados nestas séries. Ou nos clássicos de Hank Williams, Parker & Charles, Neil Diamond e, claro está, John R. Cash. Porque Johnny Cash consegue esta coisa extraordinária de se reinterpretar rejuvenescendo-se. Ele é o próprio, o outro. Ouvir We’ll Meet Again no final de American IV: The Man Comes Around é estupidamente comovente. A gente mete a coisa em repeat e não cansa. Antes pelo contrário, inspira. Difícil é escolher. São seis, os volumes destas séries. Todos eles imprescindíveis.




1 comentário:

je suis...noir disse...

"Walk the line" surpreendeu-me um pouco, pq não sabia muito da vida do senhor. Depois de ver o filme, "ouço-o" de uma maneira diferente...