sábado, 22 de dezembro de 2012

100 ÁLBUNS ASSUSTADORES #76


Encantadores de serpentes, discípulos de Xiva, os King Kooba são um duo de música electrónica com especial inclinação para a manipulação de sons com origem nas terras do Bhagavad-Guitá. Charlie Tate e Matt Harris (DJ Shuff) estrearam-se em 1998, tendo almejado alguma projecção com o registo do ano seguinte: Enter the Throne Room. Sem o sucesso de uns Kruder & Dorfmeister ou dos Thievery Corporation, movimentam-se em circuitos semelhantes. O que os distingue dos demais é a opção por ritmos não tão introspectivos, optando antes por estruturas drum’n’bass com breves incursões na música soul e no jazz e na world music. Como em tantas coisas na vida, o fascínio de um disco como este reside sobretudo nos defeitos, nas discrepâncias, nas oscilações de talento que nos permitem falar de coisas tão vagas como inspiração. Em alguns temas, os King Kobba parecem estar exclusivamente interessados em fazer dançar as pedras. Fraternety, em colaboração com MC Chickaboo, possui um ritmo avassalador, mas não dispensa sons de fundo que podiam ter sido recuperados nos flancos poeirentos de um qualquer templo perdido nas florestas orientais. Há nestes enlaces uma hábil capacidade de fazer conciliar a espiritualidade hipnótica do mantra com a desconstrução rítmica, tipicamente urbana e ocidental, do hard bop. O talento para a manipulação não está nas mãos de qualquer um. Os King Kooba têm mais desse talento do que reconhecimento popular. É a vida.

Sem comentários: