segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

100 ÁLBUNS ASSUSTADORES #81

Os islandeses não param de surpreender. Do rock alternativo de uns The Sugarcubes à pop electrónica de Björk, passando pelo post-rock dos Sigur Rós ou pelas propostas diversas de uns múm e GusGus, a insularidade islandesa confirma-se, mais uma vez, viveiro privilegiado para uma produção musical de excelência. Agora são os Of Monsters And Men, com uma folk orelhuda, simples, irresistível. My Head Is An Animal reúne um conjunto de canções onde a exultação melódica se destaca com equilíbrio extraordinário. Sem resvalarem no intimismo das carpideiras nem numa perspectiva deprimente do mundo urbano, preferem mergulhar num universo ambientalista e daí emergir com uma visão renovada da relação estabelecida entre o homem e a natureza. Nas canções dos Of Monsters And Men há lugar para coros oníricos, refrães harmoniosos, duetos suaves, e quando as letras parecem querer arrastar-nos para momentos de introspecção tudo parece deleitoso como um dia solarengo: and we are far from home but we’re so happy / far from home, all alone, but we’re so happy. Esta alegria de viver desvia-se de uma contemporaneidade melancólica, leva-nos para o interior de um bosque onde montamos tenda, acendemos a fogueira e passamos um bom bocado. De certa forma, trata-se de uma concepção da música como refúgio que não precisa de cair na pura lamechice nem de ser superficial para inspirar viagens libertadoras. Talvez porque, na realidade, estes rapazes e estas raparigas estejam conscientes de que, afinal, monstros são os homens.

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