segunda-feira, 17 de junho de 2013

100 ÁLBUNS ASSUSTADORES #87


Em tempos, fui colaborador assíduo de um programa de rádio chamado Outra Margem. Boa música ali demos a ouvir, outra tanta nos foi chegando pelos mais diversos meios. Tínhamos as nossas predilecções, nomeadamente por editoras que rapidamente associávamos a este ou àquele géneros musicais. A Sub Pop produzia as melhores bandas grunge, a 4AD e a Beggars Banquet eram lugares sagrados, na Thrill Jockey respigámos o melhor do post-rock e na Ninja Tune encontrámos alguns dos mais interessantes projectos de música electrónica. Os Up, Bustle and Out foram um deles. Oriundos de Bristol, denotavam um gosto e uma cultura musicais impressionantes. Aproveitando elementos do Jazz e dos ritmos latinos, da música étnica e tradicional proveniente de várias matrizes geográficas, os Up, Bustle and Out conseguiam um trabalho de colagem equilibradíssimo e divertido. Ao contrário dos conterrâneos Tricky e Massive Attack, fugiram das ruinosas paisagens urbanas e partiram numa viagem em busca da face picaresca da humanidade. Em termos rítmicos, não se distanciam muito do Groove, da soul music, do funk, adicionando instrumentos orgânicos como a flauta, o saxofone, a guitarra clássica ou o contrabaixo a uma rede electrónica capaz de arrastar na corrente samplers dos “quatro cantos do mundo”. One Colour Just Reflects Another (1995) é um título absolutamente programático para uma colectânea com registos sonoros recolhidos na Bolívia, no Peru, na Turquia e na Floresta de Dean, posteriormente organizados segundo uma filosofia “do-it-yourself” que celebra tanto o nomadismo cigano como a atitude libertária dos piratas do norte de África ou dos foras da lei do Old West. Estamos num campo onde se respira liberdade, se afrontam as normas e se subvertem as regras, um campo musical aberto à inconveniência.

8 comentários:

Anónimo disse...

É pá e estas:

Domino - Sebadoh, Smog, Pavement, Come, and Elliott Smith, Will Oldham

E a Drag City - Will Oldham, Bill Callahan, David Berman, Jim O'Rourke, Alasdair Roberts.

E a Matador: Pavement, Liz Phair, Guided by Voices, Yo La Tengo, Cat Power.

Ricardo

Anónimo disse...

Ainda faltava a Mute e a Toutch and Go.

Ricardo

Nuno Costa Santos disse...

Boa recordação! Também ouvi.

Contos do meu terraço disse...

Hmbf, já há algum tempo que ando para fazer um comentário,
e desta vez não pude deixar de fazê-lo, ao ter-me sido dado
a conhecer mais uma fabulosa banda! Para além desta banda,
já houve vários autores mencionados neste blog que despertaram
o meu interesse,como por exemplo o Al berto. Desde que descobri este blog, já me foi dado a conhecer e a aprender muita coisa, obrigado
por isso. Tens textos publicados que são um autêntico conforto para a minha alma, apesar de serem dos textos mais desassossegadores...
Agrada-me bastante saber que te tenho como vizinho nesta pequena cidade.

Diogo Marques

hmbf disse...

Obrigado Diogo.

Ivo disse...

Vinha deixar um simples agradecimento por mais uma excelente sugestão musical - nunca tinha ouvido falar desta banda, comprei o cd via internet, chegou hoje e está neste momento em fase de revelação, que é como quem diz no leitor - mas deparei-me com as palavras do Diogo, que caso não se importe, faço também minhas. Alteraria apenas a parte final, de "pequena cidade" para porventura "pequeno mundo".
Obrigado Henrique. Parece que o conheço ao escrever assim; errado! Mas as palavras que aqui leio quase todos os dias desde há uns tempos fazem-me senti-lo como alguém familiar. Mais uma vez, obrigado.

hmbf disse...

Muito grato pelas vossas palavras.

hmbf disse...

Muito grato pelas vossas palavras.