terça-feira, 18 de junho de 2013

RICO PRESENTE

─ Onde meteste o embrulho? ─ perguntou a menina dos olhos-ameixa.
─ Foi para o lixo. ─ respondeu o pai de olhos-amêndoa.
A menina de olhos-ameixa ficou abrunhada com a resposta do pai, não conseguia compreender a desconsideração. Como era possível ter deitado para o lixo um embrulho feito com tanto amor? Percebendo a decepção, o pai de olhos-amêndoa tentou explicar-se.
─ Filha ─ disse ─, se não deitarmos os embrulhos para o lixo, com o passar dos anos, ficamos com a casa cheia de embrulhos, depois corremos o risco de nos embrulharmos e de alguém pegar em nós para nos oferecer de presente.
A menina dos olhos-ameixa escutava o pai com atenção, a boca aberta, o olhar atento, mas algo desconfiado. Quando o pai terminou a explicação, encolheu os ombros, respirou fundo, e disse:
─ Pai, não sejas infantil. Ninguém quer de presente pessoas como nós.

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