terça-feira, 23 de julho de 2013

É URGENTE CONSERVAR O AMOR

Sim, sei de gente que é muito fiel à infidelidade. É assim no casamento como o é no trabalho, com os amigos, a família, etc. Dantes marcávamos essa gente com o estigma da traição. Eram traidores, sendo que o termo tinha um peso moral tremendo. Hoje em dia, parece cultivar-se a infidelidade. Ser-se traidor é estar-se in. Ora, numa sociedade onde se espera que as pessoas sejam aquilo que são – hipócritas, traidoras, pérfidas, mesquinhas – deixamos de ter com que nos preocupar. De certa maneira, estamos a tornar normais os vícios e a descapitalizar a virtude e a moral. Os valores mudam, claro. Mas onde nos levará esta subversão pacífica de valores tidos como fundamentais? O mundo sem gente fiel pode ser mais livre (preciso de me questionar sobre o assunto), mas não será igualmente um mundo de cobardes? Basicamente, estamos a deixar-nos tomar pela animalidade que levámos séculos a domesticar. Tornamo-nos uma espécie de selvagens light. Entenda-se que o meu hedonismo aguenta perfeitamente e até julga aconselhável a poligamia ou uma vida inteira de encontros de uma só noite. Questiono apenas o porquê de se manter uma relação fixa, estável como vulgarmente julgamos essas relações, se a intenção é trair essa estabilidade. O que procuram na conjugalidade pessoas que, afinal, sentem necessidade de transpor a conjugalidade com relações extraconjugais? É aqui que chegamos à cobardia, àqueles que pretendem prender a si alguém pelo medo de ficarem sós mas recusam submeter a sua suposta liberdade aos grilhos de uma relação. É-se, deste modo, cobarde e egoísta em doses proporcionais, características muito louváveis onde a solidariedade se transforma em sacrifício.
(a propósito disto)

7 comentários:

Claudia Sousa Dias disse...

Sem comentários.
Mas se um negócio destes existe é porque há mercado. O da hipocrisia. Haja empreendedorismo.

Tétisq disse...

e, cresce em contexto de crise e recessão, apesar de dizerem que anda tudo deprimido e desmotivado pelos mesmos motivos.

hmbf disse...

O mercado da hipocrisia é vasto e não consta que para esse falte dinheiro.

CCF disse...

Absolutamente de acordo. Nada contra um estilo de vida sem relação fixa, errante. O pior é que normalmente isso não se assume, as pessoas querem tudo - a fixa e as outras. E normalmente sem o consentimento da pessoa com quem mantêm a relação fixa.
~CC~

cenas underground disse...

Excelente post.

hmbf disse...

Obrigado.

antónio quadros ferro disse...

"O que vemos em Portugal é que há um apetite (...)"

Bonito isto.