sexta-feira, 30 de agosto de 2013

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

domingo, 25 de agosto de 2013

THE SEARCHERS (1956)






Apesar de ter sido oscarizado pelo desempenho em True Grit/A Velha Raposa (1969), julgo que o grande momento na carreira de John Wayne acontece em The Searchers/A Desaparecida (1956). Quando fizeram este filme, Wayne e John Ford (1894-1973) já tinham trabalhado juntos em muitos outros. Lembremos Rio Grande (1950), She Wore a Yellow Ribbon/Os Dominadores (1949) e Fort Apache/Forte Apache (1948), a chamada Trilogia da Cavalaria. Esta parceria, que tanto deu que falar, atingiu no filme de 56 uma simbiose perfeita. Ver John Wayne a representar não é apenas assistir à encarnação de uma personagem. Trata-se de um caso em que o actor se transformou ele próprio numa personagem. Daí que muitas vezes nos sintamos tentados a admitir que os papéis de Wayne são sempre os mesmos em todos os seus filmes, porque em todos eles repete uma postura facilmente identificável. É possível que True Grit tenha sido um Oscar de carreira, mas em The Searchers John Ford desmaquilha John Wayne, consegue torná-lo tão seco como a poeira de Monument Valley, arrancando-o do Olimpo mitológico do Velho Oeste e colocando-o ao nível dos homens vulgares. Ou seja, transforma-o num actor de corpo inteiro. Nada há de divino na figura de Ethan Edwars, o homem que procura duas sobrinhas capturadas por um grupo Comanche chefiado pelo vingativo Scar (Cicatriz). O nome do chefe Comanche adquire aqui um simbolismo especial, na medida em que toda a história se desenrola em torno das cicatrizes deixadas pelos conflitos armados que fomentaram ódios, medos, desejos de vingança entre autóctones e colonos. Ford oferece a Wayne um papel onde ele consegue expressar as emoções de um rosto demasiadamente tipificado, da preocupação ao ódio, da raiva à desilusão, da esperança à perseverança, da ironia à sageza. Desde que regressa a casa do irmão Aaron até ao reencontro com a sobrinha Debbie (Natalie Wood), Ethan Edwards como que se vai redescobrindo a si próprio, as emoções soltam-se-lhe do peito e emergem ao rosto, deixando-o inclusive sem palavras perante uma crueldade que a câmara sugere mas nunca mostra. Porque o que interessa neste The Searchers é descobrir nos rostos dos actores o que a câmara se recusa mostrar. Para o efeito contribui bastante a interação com o sobrinho adoptado Martin Pawley (Jeffrey Hunter), um mestiço criado pela família Edwards que cumpre ao lado de Ethan a saga do resgate. Sucede que Martin é um jovem onde uma certa ingenuidade ainda não aniquilou a esperança, ao passo que Ethan parece ter sucumbido aos pés da maldade que carrega na memória e vai observando diariamente. O que Ethan reencontra, quando finalmente levanta no ar a sobrinha mais nova, única sobrevivente do ataque índio, é o sentido da palavra esperança. Porque se foi perseverante o suficiente para não desistir da encontrar ao longo dos anos, parecia já se ter conformado com a probabilidade de não vir a encontrar o que perdera mas algo completamente diferente. Algo transformado pelo tempo e pelas circunstâncias. O primeiro e o último planos do filme ligam-se por isto mesmo. Ford coloca a objectiva no interior de uma casa, abre a porta e mostra-nos o exterior. No primeiro plano, a cunhada de Ethan aparece de costas para nós. No último, Ethan aparece de frente. Aproxima-se da entrada, mas não chega a entrar. Volta-nos as costas e segue. Este movimento onde o interior de um espaço de recolhimento é invadido pelo exterior, induz aquela condição que leva o tempo a sarar feridas onde perdurarão cicatrizes indisfarçáveis. Tudo isto faz deste um filme muito especial, um filme que procura compreender a origem de uma cicatriz a partir do rosto de um homem ao mesmo tempo confiante e desesperado. Esse homem é Ethan Edwars, provavelmente o melhor John Wayne.

MÉCIA



Imperdível, a última edição do Jornal de Letras, Artes e Ideias. Coloca na capa Mécia de Sena, uma senhora que poucos conhecerão. Não é grave. Mais grave será que nunca tenham sequer ouvido falar do marido, o poeta, ensaísta, escritor Jorge de Sena. Um dos mais influentes e relevantes que o séc. XX nos deu, a par de Fernando Pessoa, Ruy Belo ou Herberto Helder. Curiosamente, este número oferece-nos duas cartas inéditas da correspondência trocada entre Ruy Belo e Jorge de Sena. A reportagem de Luís Ricardo Duarte junto da viúva do escritor é exemplar. Mécia continua a viver em Santa Bárbara, na Califórnia (EUA), para onde se deslocou a família em 1970. O exílio de Jorge de Sena iniciara-se em 1959, no Brasil. Só regressou a Portugal em 2009, para passar a residir no Cemitério dos Prazeres. Estamos certos de que em boa companhia. Deixo um breve excerto da reportagem e, no final, a minha singela homenagem:

 

O estatuto de confidente literária do marido reforçou-se com a disponibilidade de Mécia para as questões práticas. Mesmo dando aulas, cuidando dos filhos e frequentando a universidade em Lisboa, onde o casal se fixou, arranjava sempre tempo. Aprendeu rapidamente a datilografar e os textos que saíam da pena do escritor voavam diretamente para o teclado da sua máquina de escrever. Foram anos e anos de trabalho conjunto, poemas, contos, ensaios, conferências e artigos de jornal. O empenho que hoje dedica a rever inéditos e a caçar gralhas em livros já publicados é igual ao que aplicava, horas a fio, sentada a passar a limpo a escrita do marido. “Comecei quando ainda namorávamos. Por isso, quando nos casámos, estava treinadíssima”, brinca.

 
 

JORGE A MÉCIA DE SENA

 

Esta noite sonhei contigo. Não foi bem contigo.
Sonhei sozinho no teu nome, enquanto circulava
num supermercado junto à área hortofrutícola.
Em vez de vegetais, as arcas expunham livros
coloridos com o teu nome na capa. O teu nome
inscrito como se fosse o veio de uma folha, a raiz
de um vegetal fresco. E eu peguei nos livros,
pesei-os, levei os que me pareciam mais frescos
para uma salada à hora de almoço, a mesma
em que te vejo à janela recolhendo a roupa
do estendal, perdendo algumas molas, refilando
com os dedos desastrados para os arames,
mas tão suaves para prosas quebradas em verso.

 

Henrique Manuel Bento Fialho, in A Dança das Feridas, Janeiro de 2011, p. 37.

TED POST (1918-2013)


Escrevi aqui sobre um dos seus filmes.

O CONSELHEIRO

Camarada Van Zeller, morreu o economista António Borges. Não morreram com ele as suas teorias cancerígenas. A luta continua.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

THE FURIES (1950)

Desde cedo habituados a discriminar o mundo sob uma perspectiva de género, vestimos os meninos de azul e as meninas de cor-de-rosa. O comércio organiza-se em função destas discriminações, orientando-se para o público com espaços diferenciados. Temos lojas de roupa para homem e lojas de roupa para mulher, os barbeiros e as cabeleireiras, a revista Maria e o jornal A Bola. A própria arte, lugar onde as fronteiras se esbatem facilmente, parece por vezes ser desenvolvida tendo em vista públicos definidos a partir de estereótipos de género. Os livros, que na minha pobre cabeça serão sempre como os anjos (não têm sexo), também sofrem de estratificações deste tipo. Por isso as meninas começam por ler as Gémeas e os rapazes preferem a colecção Feras & Heróis. O western é, em certa medida, vítima do estigma, embora muitos dos melhores coloquem mulheres no centro das atenções. São disso exemplo filmes excepcionais tais como Rancho Notorious/O Rancho das Paixões (1952), Johnny Guitar (1954) ou mesmo True Grit/Velha Raposa (1969).The Furies/Almas em Fúria, de Anthony Mann (1906-1967), é outro exemplo de um western que parece ter sido pensado à imagem e semelhança das suas personagens femininas, nomeadamente da personagem interpretada por Barbara Stanwyck. Filha do napoleónico rancheiro T. C. Jeffords (Walter Huston), Vance Jeffords mantém com o pai uma relação de amor/ódio. Vive numa propriedade incomensurável chamada Fúrias, palco de um conflito antigo com ocupantes mexicanos, e conta ficar a geri-la em breve. Beneficia da relação distante que o pai mantém com o filho, um indivíduo razoável, mas inconveniente, que aparece numa meia dúzia de cenas para reforçar a relação de interdependência entre pai e filha. Anthony Mann coloca muitas vezes ambas as personagens em planos que chegam a insinuar uma relação incestuosa, no sentido de um amor que é mais do que filial. É uma relação apaixonada onde vêm à tona sentimentos de admiração e reverência. Mas há nesta relação obsessiva uma tremenda fragilidade que se torna evidente quando o pai traz para o rancho uma viúva poderosa com quem se pretende casar. A partir desse momento, assistiremos no palco a um ambiente insidioso, cheio de subtilezas e de perfídia. Pura tragédia grega. As personagens tornam-se manipuladoras, a ambição tolda-lhes a humanidade. São frequentes nos diálogos metáforas que colocam num mesmo plano comportamentos humanos e animais. O interesse passa a dominar todas as decisões, a razão cede por completo às paixões deixando-nos na ilusão de continuar a segurar os cavalos pelas rédeas. É como se entrássemos no mundo empresarial moderno, com seus ardis, casamentos por conveniência, manipulações e chantagens que nunca chegam a sê-lo porque são exercidas na penumbra de uma pressão psicológica difícil de determinar. A palavra começa a contar tanto entre os intervenientes como as TCs, notas sem qualquer valor fabricadas pelo próprio T. C. Jeffords para pagar aos credores indefesos. É uma palavra oca como a que hoje obriga a uma desconfiança insuportável entre tudo e todos. Porém, Vance mantém com Juan Herrera, um dos ocupantes das Fúrias que o pai pretende expulsar, um elo antigo de cumplicidade que contribuirá para agudizar o conflito familiar. Pelo meio, terá também de se livrar da madrasta. Observem a intensidade dramática do confronto, num western onde as mulheres pontuam toda a acção:

O filme desenrolar-se-á então no sentido de uma curva de Gauss, com Vance a entregar-se por completo ao ódio que o pai lhe passara a inspirar. Um ódio que, alcançados os objectivos, volta a dar lugar à admiração. Tudo é teatro entre aquelas personagens, tudo é representação. Símbolos de uma sociedade maquilhada pela vaidade, pela ganância, pelo orgulho, pela ambição, T. C. Jeffords e Vance Jeffords podiam ter sido requisitados em múltiplas famílias que se confundem com os seus impérios empresariais na contemporaneidade. Vance é a menina do papá que se vê sujeita à terrível prova de mostrar que os tem no sítio para poder substituir o pai nas Fúrias. O talento de Mann está em, tal como acontece nos westerns de John Ford, elevar as suas personagens à condição de deuses universais sem os deslocar para o Olimpo. São personagens-tipo sem tempo nem geografia, mas terrenos, demasiado terrenos. O tempo não passa pelas atitudes nem pelos comportamentos ali representados, apenas lhes altera o cenário. Infelizmente.


P.S. : Depois de ler o texto, a minha mulher alertou-me para um pormenor que me esqueci de referir. Na realidade, trata-se de um pormenor assaz relevante. T. C. Jeffords está falido, não existem compradores interessados no gado espalhado pelas Fúrias. Este facto torna absurda, em certa medida, a luta pelo poder naquele rancho. Todos querem as Fúrias, um rancho falido. Para quê? Julgo haver na falência das Fúrias uma espécie de extensão da falência familiar, uma falência de valores humanos essenciais. O próprio Jeffords, depois de conseguir hipotecar a propriedade por 100.000 dólares, serve-se de 50.000 para afastar um potencial noivo da filha e dos restantes 50.000 para comprar o amor da viúva Flo Burnett (Judith Anderson). Portanto, mesmo falidos, os Jeffords não parecem tão preocupados com o dinheiro como parecem empenhados em preencher o vazio das suas próprias vidas. Desencontrados do amor, com a sombra da falecida senhora Jeffords a pairar sobre a casa (uma mulher que tudo teve para de nada usufruir, como recorda Clay Jeffords em conversa com a irmã Vance), vivem apenas obcecados com a afirmação do poder e do domínio de uns sobre os outros. 

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

SILLY SEASON

Numa caixa de comentários abaixo, um leitor argumentava que para passar a ser um direito fundamental o suicídio seria a negação de todos os outros direitos fundamentais. Não me interessa discutir a questão em si. É uma falácia muito comum, esta de supor que os direitos fundamentais podem colidir uns com os outros. Sendo a liberdade um direito fundamental, em que é que a prática do suicídio nega esse direito? Genericamente falando, estamos perante um tipo de argumentação que faz negar uma realidade universalizando o seu oposto. Ou seja, se tudo for dia não poderá haver noite. E mesmo que assumamos que tudo é dia e noite, o crepúsculo não existe. Por aí fora. Isto remete-me para uma constatação talvez irrelevante de um ponto de vista filosófico, mas muito mais viva no contexto da vida prática. Refiro-me ao problema da generalização da silly season.
 
Os portugueses deixaram de ter uma silly season, tal é o prolongamento da parvoeira ao longo de todas as estações. Deste modo, o Verão português perdeu uma das suas principais características. A novela das autárquicas, com candidatos que os tribunais ora rejeitam, ora admitem, é mais um inequívoco exemplo da essência silly que tomou conta da nação. Mas não é só os autarcas históricos que julgavam poder tornar-se dinossáurios praticando um ligeiro nomadismo edílico, saltando do município X para o município Y, que torna a coisa caricata. As dificuldades que os partidos vêm sentindo na constituição de listas é de uma eloquência atroz.  De norte a sul do país, o que vamos encontrando é os diversos partidos, sem excepção, a suportarem/apoiarem candidaturas de quaisquer peralvilhos só para poderem afirmar que concorreram em todas as sedes de município. Se estendermos a passadeira às freguesias, corremos o risco de entrar num circo para o qual não estamos preparados.
 
Opondo-se aos partidos, os movimentos cívicos de gente mais ou menos independente transformam-se em bons partidos para gente que nunca encontrou nos seus clubes lugar na equipa principal. É assim o Portugal das novas oportunidades. Ali encontram oportunidade de saltar do banco para o terreno de jogo, deparando-se, obviamente, com as dificuldades com que qualquer equipa da segunda divisão se depara quando tem de defrontar um clube da primeira liga. A hostilidade dos adeptos rivais é a mais evidente destas dificuldades, metáfora futebolística que cai aqui que nem ginjas pois no Portugal profundo os partidos permanecem na cabeça dos poucos eleitores que ainda existem, os chamados fiéis, com o estatuto dos clubes. Vestida a camisola, é para a vida. Aconteça o que acontecer. Excepto se acontecer o que muitas vezes acontece, falhar o tacho e, com isso, o desapontamento nos empurrar para outras instâncias.
 
Também há muito disso a que antigamente se chamava  vira-casacas, moinhos que se movem pelos ventos dos interesses meramente pessoais aceitando convites para listas onde seria improvável encontrá-los não fosse já tudo se ter tornado provável, possível, praticável neste país onde passámos a poder ver todos os dias, como diz o professor Marcelo, porcos a andar de bicicleta. Portanto, chegámos àquele ponto de surrealidade que confere as nossas piores expectativas: nas bases, pouco mudou. E diz-nos a lógica, por via de raciocínio indutivo, que pouco mudará. Os desinteressados da política continuarão a fazer cócegas ao smartphone, os insatisfeitos dos partidos reunir-se-ão em movimentos com estruturas que não fazem senão retrilhar os vícios dos próprios partidos e a malta do cartão continuará a dar lustro aos líderes na esperança dos amanhãs que cantam.
 
Se me questionarem sobre uma solução para isto, eu poderei descansar os meus bons interlocutores dizendo-lhes que não é só por cá que a estupidificação das massas ganhou terreno. Enfim, sugiro a quem possa que vá ver as panelas da Joana Vasconcelos (a minha mãe foi e afiança que são de tal qualidade que até mete pena vê-las ali inutilizadas) ou, em alternativa, a da magnífica Cecilia Giménez, restauradora de 80 e tal anos que, na inocência da sua arte, conseguiu com o restauro de um Ecce Homo, ao nível do melhor Crivelli, oferecer-nos o mais fiel retrato da actualidade que arte alguma poderia oferecer-nos. Estou mesmo convencido que daqui a quinhentos anos só mesmo aquele restauro poderá representar-nos condignamente nas galerias do Império Galáctico.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

LEITURAS DE FÉRIAS

A Vida e Opiniões de Tristram Shandy acompanhou-me durante as duas semanas de férias que não tive. Pelo meio, parei na Nova Iorque de Homer & Langley. Houve ainda tempo para um curioso livro de Claude Chabrol (Como fazer um filme) sobre o qual talvez venha a emitir algumas considerações. Para a praia fui levando poesia: João Camilo (A Ignorância do Conhecimento), Rosa Alice Branco (Concerto ao Vivo), Filipa Leal (Vale Formoso), Amadeu Baptista (Açougue), Pedro Tiago (O Comportamento das Paisagens) e João Miguel Henriques (Isso Passa). Pelo caminho terminei Crimes de Paixão, de Trevisan, e uma preciosidade de Monteiro Lobato, criador de Sítio do Picapau Amarelo, com o título Mundo da Lua. Mas nada se compara aos agradabilíssimos momentos proporcionados pelas crónicas de Vasco Pulido Valente. Li todas as que fui apanhando e mais algumas que levava de reserva, normalmente no Três Arquinhos, na esplanada ou no interior do café, enquanto os velhos emborcavam bagaço e filosofavam sobre o mau tempo com uma vivacidade semelhante à de VPV quando filosofa sobre o país. É provável que o cronista já emitisse opiniões sobre o apocalipse quando ainda era um espermatozóide nos testículos do progenitor, única situação em que, de resto, alguma vez soubemos dele partilhando o espaço da sua misantropia. Feitas as contas, há mais de 70 anos que VPV vaticina o fim, não vê futuro em nada, olha com espanto incrédulo para o passado que não viveu, com nojo para o presente que não quer viver e sem esperança para o futuro que jamais viverá (porque no futuro nem ele nem o próprio futuro existirão). O país bateu no fundo, há mais de 70 anos que bateu no fundo, sendo que há mais de 70 anos se previa que viesse a bater no fundo tendo no fundo já batido. E não fosse a sua forma brocada, no fundo de há 70 anos teria ficado para sempre. Para mal dos nossos pecados, há sempre um fundo mais fundo do que o fundo onde o VPV coloca tudo e mais alguma coisa. Só isso explica, por leis de uma lógica benévola (ou malévola, depende das perspectivas), que ainda não tenhamos todos já desaparecido (embora VPV não nos veja) e até façamos férias, piqueniques, manifestações e feiras populares. É um prazer imenso lê-lo, um prazer incomparável que nenhum smartphone supera.