quinta-feira, 15 de agosto de 2013

DOMESTICADORA DE GIRASSÓIS

 
Para onde quer que se voltasse, a domesticadora de girassóis atraía com seus raios de luz a corola das plantas. Irradiava uma energia lenta.


Quando caminhava com a lentidão arrumada num saco de plástico, os girassóis perseguiam-na em silêncio.


E os pássaros pousavam nos arados para os verem passar. À domesticadora e aos girassóis. Calavam o canto por respeito, como quem vê passar uma procissão de acólitos.


A própria luz respeitava o STOP, aproveitando para também ela repousar à sombra de um pinheiro sua saturada velocidade.
 
 

 

 

Tudo era lento de morte naquele lugar onde a vida vivia sem a pressa da glória nem a urgência do sucesso. O sucesso era apenas viver, viver num gerúndio de girassóis domesticados e de uma luz descansando à sombra de um sobreiro.

3 comentários:

Cláudia N. disse...

adorei conhecer a tua domesticadora de girassóis...

hmbf disse...

obrigado cláudia. por mim, o dia está ganho.

Luis Eme disse...

bela reportagem fotográfica.