quarta-feira, 13 de novembro de 2013

100 ÁLBUNS ASSUSTADORES #97


Tem dez anos, aquele que é, provavelmente, o mais desencantado dos discos evocados nesta sequência que ameaça terminar. Happy Songs For Happy People (2003), o título, encontra paralelo na primeira colectânea de poemas de Manuel de Freitas: Todos contentes e eu também – surripiado a Malcolm Lowry. Mas a música dos Mogwai, que já serviu de banda sonora em diversificadas realizações, não se restringe ao niilismo dos supraditos. Escoceses de origem, contavam com uma mão cheia de registos quando lançaram este conjunto de nove composições pela Matador. Encaixam no género vulgarmente designado de post-rock (temas essencialmente instrumentais, onde guitarras lentas se associam a arranjos de cordas e elementos electrónicos ligeiros, quase sempre numa toada vagarosa que admite explosões de energia onde caberiam refrães zangados com o mundo fosse essa a intenção). A ironia do título arrasta-se pelas designações oferecidas aos temas: Kids Will be Skeletons, Boring Machines Disturbs Sleep, I Know You Are But What Am I?, etc. A sonoridade desenvolvida pelos Mogwai apropria-se de um sentimento deprimente para o desconstruir em melodias onde o romantismo das linhas básicas acaba minado pela distorção da voz (quando aparece) e das guitarras (omnipresentes). Isto permite-lhes, de algum modo, subverter o desencanto que referi inicialmente, na medida em que esse desencanto chega reconfigurado por uma espécie de fé no poder redentor do ruído. Os oito minutos e meio de Ratts Of The Capital são o melhor exemplo de uma concepção épica da desgraça, transformada, lá está, na fé redentora das boas malhas.

Sem comentários: