segunda-feira, 25 de novembro de 2013

ESSENCIAL

Evito o essencial. Não estando ao alcance da mão, evito-o. Prefiro a superfície. Que sentido faz partir para o essencial quando nem a superfície explorámos o suficiente? O suficiente que nos permita dizer: conhecemos. Há muito por descobrir, determinar compreender acerca da superfície. Por exemplo, a profunda-idade de uma ruga.


Post-scriptum: «A superfície das coisas, declara o autor de Gommes, deixou de ser para nós a máscara dos seus corações». (citado por Jean-Pierre Sarrazac, in A Invenção da Teatralidade)

Nota: Les Gommes é um romance de Alain Robbe-Grillet publicado em 1953.

3 comentários:

Maria Eu disse...

Não é a superfície um reflexo do essencial?

Beijinhos Marianos! :)

hmbf disse...

Não é o essencial a superfície?

alexandra g. disse...

Quem chegue a si só agora, Henrique, vai achar que descobriu a pólvora, bum!pam!pim! :)
embora eu ache que é um tipo formidável que, na maioria das vezes, se comporta como um tonto por opção, escrevendo extraordinariamente (nem sempre, nem sempre, atenção, nada de vaidades ocas).

Tenha lá juízo, ou antes, assuma-o de vez, caneco (hesitei no comentário aqui ou naquele post acima, sobre o Torquato da Luz, o FB, etc).