segunda-feira, 17 de março de 2014

#11


Pouco antes do séc. XX ter trespassado o negócio, uma dupla de DJs vienenses conseguiu algo até então inimaginável: transformar um álbum de remisturas numa referência incontornável da produção musical finissecular. O que encontramos em The K&D Sessions (1998) é uma compilação de temas provenientes de linguagens tão diversas como as de Bomb The Bass ou Depeche Mode, Knowtoryous ou Lamb, aproximados pela alquimia recreativa de Kruder & Dorfmeister. As remisturas são de um bom gosto inquestionável, equilibrando-se entre o trip-hop e o drum’n’bass, com elementos respigados no cool jazz, na bossa nova, na soul, no dub, no hip hop… Este álbum veio tornar séria a designação de “música para elevadores”, depois destas sessões jamais a "música para elevadores" podia ser igual ao resto. Da mesma forma, a noção de “música de dança” adquiriu vertentes contemplativas e introspectivas capazes de transcender a mera excitação muscular. A capacidade deste duo para gerar paisagens sonoras reconfortantes, sem por um momento entediar os ouvintes com sons por demais familiares, equivale a uma espécie de cirurgia reconstrutiva musical sem paralelo. Ouve-se hoje como se ouvia ontem, não satura, resiste ao tempo. Se no cinema os remakes raramente são melhores do que os originais, na música não tem que ser necessariamente assim.

2 comentários:

Textículos disse...

1998 foi um ano fenomenal com este álbum e o "Psyence Fiction" dos Unkle

hmbf disse...

Sim, mas nada que se compare com o UA UA UÊ UA UÊ do Festival da Canção 2014.