quarta-feira, 19 de março de 2014

#12


Apesar de ter nascido em Big Indian (Nova Iorque), Lhasa de Sela (n. 1972 – m. 2010) reunia genes mexicanos da parte do pai e libaneses da parte da mãe. O berço multicultural é relevante, assim como a infância nómada, anterior à fixação no Canadá, na medida em que a sua música reflecte este cruzamento de idiomas. Canta em inglês, castelhano, francês, sobre arranjos construídos a partir de leituras muito pessoais de ritmos e atmosferas tradicionais. O seu desaparecimento precoce privou-nos de uma voz excepcional, de que são testemunho os álbuns La Llorona (1998) e The Living Road (2003). É redundante falar sobre as canções de Lhasa, arquitectadas em terrenos de uma beleza indescritível e profundamente comoventes. The Living Road é um disco de viagens, absorve elementos da chanson française, mistura-os com boleros e ranchera, um certo blues, fluindo para oceanos que lembram amiúde o nosso fado. É uma música que testemunha percursos, caminhos percorridos, socorrendo-se das imagens nostálgicas que temperam a vida do viajante, do espírito nómada e errante, com um impressionante sentido de agradecimento à vida. São imensos e diversos os instrumentos que a acompanham, como não podia deixar de ser, sempre numa toada acústica capaz de agarrar as componentes mais intimistas dos lugares e das situações convocadas. Imprescindível.


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