Com a trompete do norueguês Nils Petter Molvær (n. 1960) penetramos
uma outra dimensão. Khmer (1997) é muitas vezes tido como o primeiro álbum,
embora antes deste tenha havido uma colaboração com Robyn Schulkowsky (façam favor
e descubram) onde o talento deste “músico de jazz” era já evidente. As aspas
denunciam o eufemismo, pois Nils Petter Molvær pratica uma linguagem onde os géneros
se cruzam e nenhum constrangimento estilístico se impõe. Basta dizer que neste álbum,
além da trompete, toca guitarra, baixo, percussão e faz uso de colagens com inteligente
parcimónia. Khmer ressoa ambientes indianos, sons do médio oriente, com um
sentido estético onde o ecletismo deita na mesma cama improvisação jazzística e
programação electrónica. O resultado é avassalador. On Stream é das peças mais bonitas que alguma vez ouvi. Os trilhos percorridos
transportam-nos para um deserto repleto de aventura, o silêncio cortado pelo
sopro do vento, chuvas de areia que sacodem dunas. Estas paisagens anunciam o pó
que se levanta no interior das tendas, sendo possível agitar a loucura tanto
ao som de um ritmo pós-moderno como de uma melodia clássica. Álbum de fusão?
Certamente. Mas bom, bom, bom. Nada de (con)fusões.
3 comentários:
este álbum
é
muito bom
mesmo
Pois
Lembra o Jon Hassell que fez 70 anos na semana passada.
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