terça-feira, 25 de março de 2014

#14


Com a trompete do norueguês Nils Petter Molvær (n. 1960) penetramos uma outra dimensão. Khmer (1997) é muitas vezes tido como o primeiro álbum, embora antes deste tenha havido uma colaboração com Robyn Schulkowsky (façam favor e descubram) onde o talento deste “músico de jazz” era já evidente. As aspas denunciam o eufemismo, pois Nils Petter Molvær pratica uma linguagem onde os géneros se cruzam e nenhum constrangimento estilístico se impõe. Basta dizer que neste álbum, além da trompete, toca guitarra, baixo, percussão e faz uso de colagens com inteligente parcimónia. Khmer ressoa ambientes indianos, sons do médio oriente, com um sentido estético onde o ecletismo deita na mesma cama improvisação jazzística e programação electrónica. O resultado é avassalador. On Stream é das peças mais bonitas que alguma vez ouvi. Os trilhos percorridos transportam-nos para um deserto repleto de aventura, o silêncio cortado pelo sopro do vento, chuvas de areia que sacodem dunas. Estas paisagens anunciam o pó que se levanta no interior das tendas, sendo possível agitar a loucura tanto ao som de um ritmo pós-moderno como de uma melodia clássica. Álbum de fusão? Certamente. Mas bom, bom, bom. Nada de (con)fusões.


3 comentários:

manuel a. domingos disse...

este álbum
é
muito bom

mesmo

hmbf disse...

Pois

Marina Tadeu disse...

Lembra o Jon Hassell que fez 70 anos na semana passada.