sexta-feira, 7 de março de 2014

#3


Shibuya é um bairro de Tóquio que, à semelhança de algumas cidades europeias, serviu de berço a um movimento artístico alternativo conhecido como Shibuya-kei (cena de Shibuya?). Também é o bairro onde morreu o famoso Hachikō, canino da raça akita cuja história deu origem a um filme de chorar baba e ranho. Um dos nomes mais conhecidos da Shibuya-kei é Cornelius, alter-ego de Keigo Oyamada (n. 1969). A discografia de Cornelius prima pelo ecletismo, sendo Point (2002) um dos seus álbuns mais conseguidos. A capacidade de equilibrar estilos musicais diversos vai ao ponto de alternar aproximações à bossa nova com experiências no domínio do noisy rock. Samplers de água a correr, pássaros a gorjear, cães a uivar, ondas a rebentar, matizam temas essencialmente instrumentais onde a voz entra invariavelmente num registo tímido e agradável. Mas não se julgue que este ecletismo gera desequilíbrios. Antes pelo contrário, as composições de Cornelius interligam-se e o álbum funciona como um todo em bloco que é injusto fragmentar. Os contrastes cedem a uma espécie de tauismo musical onde a guitarra acústica e alguns loops omnipresentes funcionam como ponto de fusão. Vale a pena percorrer no Youtube os vídeos de Cornelius, que são todos muito bons. Deixo este Fly, que me agrada pela ironia do pormenor:


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