domingo, 9 de março de 2014

#5


No início do século XXI, quando toda a gente andava muito deprimida a tratar da ressaca apocalíptica do fin de siècle, uma dupla norueguesa brindou-nos com um dos conjuntos de canções mais sossegadas de que há memória. Como metade do grupo não queria dedicar-se à música, sobrou-nos a outra metade. Erlend Øye foi a metade que sobrou, e nós agradecemos-lhe ter preferido a música à psicologia. Poupamos nos ansiolíticos. Em 2003 publicou aquele que julgo ser o seu único álbum a solo até à data. Unrest (2003) obedece a um conceito nómada, cada canção foi gravada numa cidade diferente recorrendo a produtores diversos. De Nova Iorque a Roma, de Barcelona a Helsínquia, de Turku a Berlim, as canções de Erlend Øye seguem um rumo, não se despistam das coordenadas que orientam o espírito prazenteiro e tranquilo do compositor. Por detrás desse espírito estarão doses consideráveis de easy listening, pop music de bom gosto e uma economia instrumental que os sintetizadores ajudam a superar. Paradoxal e ironicamente, Unrest descontrai-nos, sossega-nos, embora saibamos que nestas coisas da música nem sempre o que parece é:


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