segunda-feira, 10 de março de 2014

#6


Na segunda metade da década de 1990, o rock reencontrou o jazz. Não necessariamente pela sua coluna vertebral, a arte de improvisar, mas também pelas matrizes dançante e evocativa. Os blues sempre estiveram presentes, é certo, e o swing foi reencarnando em abordagens diversas, mas na segunda metade de 1990 tudo isto se conjugou sob a forma do então denominado post-rock, com as vantagens oferecidas pela tecnologia e, consequentemente, pela música electrónica. Kieran Hebden, guitarrista dos Fridge, foi dos músicos que melhor aproveitou estes ensinamentos. Sob a designação Four Tet produziu paisagens fascinantes, de uma complexidade que oferece à manipulação electrónica a face orgânica que lhe faltava para ser considerada música. Sugiro que vasculhem os vídeos no Youtube onde Kieran Hebden explica os seus métodos de composição ou administra workshops sobre remistura e programação musical. Mas mais importante que isso é a sua música. O álbum Pause (2001) testemunha a possibilidade de  conjugar elementos tradicionais com a mais avançada tecnologia no desenvolvimento de algo novo, musicalmente apelativo e ao mesmo tempo intrigante. No More Mosquitoes não é o meu tema preferido, inclino-me para os temas onde guitarras acústicas, harpas ou instrumentos de sopro dialogam com ritmos trip-hop e drum’n’bass desconjuntados (mas coerentes). Parks, por exemplo, é de uma beleza inexcedível. Mas talvez pelo lado surreal do videoclip, No More Mosquitoes ficou como um dos temas mais conhecidos do álbum:



2 comentários:

Ivo disse...

Ah finalmente algo que me é familiar ;)
Há espaço para sugestões Henrique? Deixo duas, perdoa-me o abuso: This Bliss, Pantha Du Prince & Immunity, Jon Hopkins.

hmbf disse...

grato