terça-feira, 11 de março de 2014

#7


Naturais de Reykjavik, Islândia, os GusGus formaram-se em 1995. Polydistortion (1997) apareceu quando já pesava sobre a banda o epíteto de next big thing pós-The Sugarcubes, primeiro projecto de Björk a ter algum impacto internacional. Mas se é verdade que Polydistortion não decepcionou, não é menos verdade que estava longe de ser a next big thing do que quer que fosse. Alicerçados na electrónica desenvolvida nos clubes de dança europeus durante a década de 1990, os GusGus estrearam-se com um álbum onde os melhores momentos devem aos ritmos trip-hop e à escola funk & groove a sua verdadeira inspiração. O facto de alternarem vozes masculinas com femininas, num tom invariavelmente frágil e, por vezes, em falsete, oferece-lhes uma diversidade que torna os ambientes algo repetitivos menos entediantes. E ao contrário de outras bandas na mesma linha, souberam evitar o dramatismo melancólico então em voga com melodias relativamente alegres e letras geralmente irónicas. Curioso que tenham sido publicados pela 4AD, uma chancela mais vocacionada para o rock alternativo de inspiração gótica e "urbano-depressiva". Este percurso em contramão é sempre de louvar, sobretudo quando as auto-estradas percorridas são aquelas onde por vezes o sucesso comercial imediato fala mais alto do que a vontade de experimentar estruturas alternativas.


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