Kubik é a designação sob a qual se esconde o estro do músico
egitaniense Victor Afonso. Psicotic Jazz Hall (2011) foi mais um tomo num longo
percurso, a velocidades distintas, que pode e, dada a qualidade inquestionável, deve ser explorado aqui. A
meticulosidade desta urdidura sonora só é comprável à teia de uma aranha, captura
o ouvinte pela variedade de referências que sugere e com um domínio rítmico repleto
de súbitas colisões sonoras. Logo no primeiro tema, encontramos uma
tela bebop rasgada pela distorção de uma guitarra heavy metal debaixo de coros
celestiais. Estes jogos, onde linguagens musicais divergentes se reúnem com
estranha congruência, reflectem um trabalho de colagem assente numa cultura
musical profunda e (mais importante) de extremo bom gosto. A música jazz, como
o título da colectânea indica, é a matriz, mas é já uma matriz em estado
alterado, psicótico, com ramificações na world music, na música erudita, no
rock, na dance music. Apesar da constante experimentação, os temas são dançáveis
e agradavelmente provocadores. Lembrei-me dos franceses Troublemakers, talvez pelas ligações cinematográficas que aproximam a música de ambos. Mas
Kubik anuncia uma intencionalidade jazzística que escapa aos franceses.
P.S.: resta dizer que consegui o meu exemplar entrando em
contacto com o autor, a quem ainda estou em dívida pela disponibilidade e
simpatia demonstradas. Os contactos estão no sítio supracitado.
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