segunda-feira, 5 de maio de 2014

#20


Okinawa é uma província japonesa, outrora ocupada pelos americanos durante 27 anos. O músico Takashi Hirayasu tem aí as suas raízes, facto que não o impediu de conduzir a música tradicional da sua região (min'yo) ao encontro de linguagens ocidentais. Com importantes colaborações no currículo, fundadas num conceito de world music onde a tradição vai sendo constantemente construída, Takashi Hirayasu canta e explora múltiplos instrumentos onde a multiculturalidade se revela motivo, meio e consequência. A colaboração com o guitarrista norte-americano Bob Brozman, iniciada em 2000 com o álbum Jin Jin/Firefly, tem, deste modo, um propósito concreto de alargar horizontes, reunindo elementos provenientes de formas de sentir e de estar diferentes. Sem negar a tradição, sublinhada na dedicatória do primeiro tema a Rinsho Kadekaru, nome maior da música tradicional de Okinawa, Hirayasu & Brozman percorrem ritmos e melodias que vão do blues ao folclore mexicano (David Hildago, dos Los Lobos, é um dos músicos convidados), deste à música havaiana, passando inclusive por reminiscências da música cigana do leste europeu. No tema tradicional que encerra Nankuru Naisa (2001), Takashi Hirayasu toca o sanshin japonês (uma espécie de banjo de três cordas) e uma guitarra folk tipicamente ocidental, enquanto evoca num belíssimo poema a paisagem de Okinawa e as limitações que se impõem ao artista que pretenda exprimi-la. Em certo sentido, este disco resulta dessas limitações. 

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