terça-feira, 13 de maio de 2014

#21


Depois de uma digressão com os Tortoise e os Labradford, os Ui, formados pelo baixista Sasha Frere-Jones e pelo baterista Clem Waldmann, almejaram alguma visibilidade dentro do universo post-rock. Estávamos em meados da década de 1990, músicos oriundos de escolas distintas uniam esforços para revitalizar tanto o jazz como o rock. O post-rock resulta disso mesmo, apostando essencialmente em instrumentais onde riffs minimalistas, típicos da música rock, tabelam improvisos com derivações pela música electrónica. A singularidade dos Ui apoia-se na secção rítmica, colocando diversas vezes dois baixos em diálogo sobre uma cadência assegurada pela percussão. Ao segundo álbum, este Lifelike (1998), a música do trio expandiu-se noutras direcções. Alguns temas surgem coloridos por sopros, samples, guitarras que evocam tanto o estro melancólico de Vini Reilly (The Durutti Column) como a urgência punk dos finais da década de 1970. Doze temas onde a voz que se escuta é a voz dos instrumentos, ora gerando paisagens de um groove sedutor, ora remetendo para orientações mais abstractas com linhas melódicas intimistas. Alguns temas, apesar de curtos (o mais extenso não chega a durar cinco minutos), reflectem ritmos destoantes, solo sobre o qual rebentam imagens capazes de embaraçar leituras unívocas e sólidas. Na sua aparente homogeneidade, esta é uma música sincrética, multicolorida, contrastante. A título de exemplo, escute-se Drive Until he Sleeps

3 comentários:

António Jesus Batalha disse...

Seu blog é encantador, estive a ver e ler algumas coisas, não li muito, porque espero voltar mais algumas vezes,mas deu para ver a sua dedicação e sempre a prendemos ao ler blogs como o seu. Se me der a honra de visitar e ler algumas coisas no Peregrino e servo ficarei radiante, e se desejar deixe um comentário. Abraço fraterno.António.

manuel a. domingos disse...

é um álbum do caneco

hmbf disse...

Agradecido.