sexta-feira, 16 de maio de 2014

#22


Já aqui disse que não aprecio colectâneas. Todavia, aceito excepções. O que me irrita verdadeiramente é o conceito de best of, uma obra reduzida aos momentos de maior popularidade. É verdade que os Violent Femmes nunca foram banda de hits massificados, à excepção, talvez, do tema Blister in The Sun (1982). O trio liderado por Gordon Gano, formado no início da década de 1980, aliou o espírito rock’n’roll, já na sua mutação punk, ao culto das canções de protesto no terreno da folk music. Com uma formação circunscrita à relação entre três instrumentos base (guitarra, bateria, baixo), souberam tornear as limitações impostas pela formação reduzida com elementos externos de proveito inquestionável. O xilofone que se escuta em Gone Daddy Gone, o banjo de Country Death, a secção de sopros em Black Girls, liderada pelo saxofone de John Zorn, entre outros e diversificados contributos, são mais valias que permitem aos Violent Femmes desbravar os horizontes da chamada canção popular. Add It Up (1981-1993) é uma compilação que merece ser ouvida com atenção, até porque ajuda a compreender os fundamentos de manifestações culturais que por vezes tendemos a considerar, erroneamente, muito nossas. O percurso da banda é percorrido desde o primeiro ao último álbum de originais, com separadores pelo meio reveladores do espírito adolescente e, por consequência, inconformado do trio norte-americano. Os Violent Femmes souberam não crescer, preservando uma rebeldia que outros não raras vezes se limitam a arrumar no álbum de memórias.  


1 comentário:

I. disse...

Gosto muito de Violent Femmes, têm um estilo muito próprio, gostei muito do texto e da escolha da música :)