quarta-feira, 28 de maio de 2014

#25


Em meados da década de 1980 o chamado rock industrial conheceu a sua vertente mais pop através dos The Young Gods. À época, a singularidade da música da banda suíça residia na capacidade de conjugar o potencial electrónico com uma poética claramente arreigada ao legado de James Douglas Morrison. Ambientes misteriosos e enigmáticos estouravam numa visceralidade sonora minimal, que lançava o corpo numa espécie de ritual iniciático tão místico quão lascivo. O primeiro álbum, homónimo, apareceu em 1987. O auge surgiu com T.V. Sky (1992) e a inclusão do tema Skinflowers na banda sonora de Sliver (1993), filme medíocre de Phillip Noyce. Em 1995, aqueles que foram, para mim, os melhores registos da banda: Live Sky Tour, a fazer justiça às poderosas performances em palco, que tive oportunidade de constatar por duas ocasiões, e este Only Heaven. É um disco absolutamente genial onde nada falta. Ambientes espirituais alternam com descargas de energia excitantes, num equilíbrio que as palavras de Franz Treichler, pronunciadas ora em inglês, ora em francês, ajudam a consolidar. Moon Revolutions é um épico de dezasseis minutos com oscilações rítmicas evocativas de temas como The End ou When The Music’s Over. Só que agora estamos às portas do século XXI, com a realidade "encantadoramente" processada e manipulada pelo advento tecnológico. O techno pode ser uma mutação dos blues:


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