Em meados da década de 1980 o chamado rock industrial conheceu
a sua vertente mais pop através dos The Young Gods. À época, a singularidade da
música da banda suíça residia na capacidade de conjugar o potencial electrónico
com uma poética claramente arreigada ao legado de James Douglas Morrison. Ambientes
misteriosos e enigmáticos estouravam numa visceralidade sonora minimal, que lançava
o corpo numa espécie de ritual iniciático tão místico quão lascivo. O primeiro álbum,
homónimo, apareceu em 1987. O auge surgiu com T.V. Sky (1992) e a inclusão do
tema Skinflowers na banda sonora de Sliver (1993), filme medíocre de Phillip
Noyce. Em 1995, aqueles que foram, para mim, os melhores registos da banda: Live Sky Tour, a fazer justiça às poderosas performances em palco, que tive
oportunidade de constatar por duas ocasiões, e este Only Heaven. É um disco
absolutamente genial onde nada falta. Ambientes espirituais alternam com
descargas de energia excitantes, num equilíbrio que as palavras de Franz Treichler,
pronunciadas ora em inglês, ora em francês, ajudam a consolidar. Moon
Revolutions é um épico de dezasseis minutos com oscilações rítmicas evocativas
de temas como The End ou When The Music’s Over. Só que agora estamos às portas
do século XXI, com a realidade "encantadoramente" processada e manipulada pelo
advento tecnológico. O techno pode ser uma mutação dos blues:
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