quinta-feira, 29 de maio de 2014

#26


Henry Binns e Sam Hardaker são a dupla britânica por detrás dos Zero 7, cujo álbum de estreia, este Simple Things (2001), foi dos melhores momentos musicais no início do século XXI. Passada a ressaca pré-milenar, com suas tensões e traumas, a proposta dos Zero 7 consistiu em recriar ambientes com o Groove da melhor música soul. Encontram paralelo nos franceses Air, nos primeiros Morcheeba e nos Massive Attack de Blue Lines (1991), mas conseguem afirmar-se por uma singularidade barroca que, recorrendo a esplêndidos arranjos de cordas, nos remete para o universo soul de um Bobby Womack. As colaborações vocais de Mozez e Sia Furler ajudam, embora o segredo resida mesmo nos arranjos. Aqui um rhodes, acolá a trompete, além uma flauta, guitarras dedilhadas com elegância, misturam-se com uma secção de cordas orgânica que oferece às melodias um ambiente descontraído de texturas obsidiantes. Como o título indica, os Zero 7 têm a capacidade de transfigurar os elementos mais simples e, por isso mesmo, mais belos da vida sem se comprometerem com reflexões superficiais sobre o estado do mundo ou a condição existencial da humanidade. Distractions é um dos grandes momentos deste álbum que, passados 13 anos, continuamos a ouvir com o mesmo embevecimento com que o escutámos da primeira vez:


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