Henry Binns e Sam Hardaker são a dupla britânica por detrás
dos Zero 7, cujo álbum de estreia, este Simple Things (2001), foi dos melhores
momentos musicais no início do século XXI. Passada a ressaca pré-milenar, com
suas tensões e traumas, a proposta dos Zero 7 consistiu em recriar ambientes com
o Groove da melhor música soul. Encontram paralelo nos franceses Air, nos
primeiros Morcheeba e nos Massive Attack de Blue Lines (1991), mas conseguem afirmar-se
por uma singularidade barroca que, recorrendo a esplêndidos arranjos de cordas,
nos remete para o universo soul de um Bobby Womack. As colaborações vocais de
Mozez e Sia Furler ajudam, embora o segredo resida mesmo nos arranjos. Aqui um
rhodes, acolá a trompete, além uma flauta, guitarras dedilhadas com elegância,
misturam-se com uma secção de cordas orgânica que oferece às melodias um
ambiente descontraído de texturas obsidiantes. Como o título indica, os Zero 7
têm a capacidade de transfigurar os elementos mais simples e, por isso mesmo,
mais belos da vida sem se comprometerem com reflexões superficiais sobre o
estado do mundo ou a condição existencial da humanidade. Distractions é um dos
grandes momentos deste álbum que, passados 13 anos, continuamos a ouvir com o
mesmo embevecimento com que o escutámos da primeira vez:
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