segunda-feira, 9 de junho de 2014

#27


All That Jazz: The Remix Project (1998) nasceu de uma ideia que tinha tudo para falhar. Dois CDs. No primeiro, remisturas. No segundo, os originais que foram objecto das remisturas. A singularidade do projecto começa, desde logo, na opção por oferecer primazia às remisturas. Garante-se às versões aquilo que na maioria dos casos se torna evidente: estamos na presença de peças musicais autónomas, certamente baseadas em linhas melódicas, ritmos, texturas experimentais sobre as quais a tecnologia tem o poder de transformar a ponto de simplesmente dar forma. Quer isto dizer que a liberdade improvisadora do Mette Petersen Quintet ou de Paul Bley não rivalizam com a capacidade manipuladora de Acustic e James Bong, sendo por vezes surpreendente a cosmética que coloca linguagens diversas como o drum ‘n’ bass e o bebop ou o trip hop e o cool jazz em perfeita sintonia. Estes encontros, operados num país como a Dinamarca, tornam ainda mais apetecível a audição. Aguçam a curiosidade quanto ao jazz escandinavo, de reconhecido valor, e abrem portas para um vastíssimo universo de música electrónica que dificilmente encontra panorama tão estimulante. E se um clássico de Bent Jædig pode não sofrer grandes transformações nas mãos dos The Prunes, a fabulosa guitarra de Jacob Fischer, dos Timeless Inc., adquire uma ressonância demoníaca quando tratada por DJ 360º. Outro momento altíssimo é a interpretação de Lo Que Vendra, original de Astor Piazzolla, pelo Tango Orkestret e a respectiva tradução da tradução levada a cabo por Rolando Posen. Magnífico.

Sem comentários: