terça-feira, 10 de junho de 2014

#28


Facilmente arrumados na prateleira da pop electrónica, os franceses Air surgiram com este Moon Safari (1998). O título, irónico, remete para uma componente espacial que a música reproduz: linhas de baixo marcam o ritmo, enquanto os sintetizadores levitam como corpos num espaço sem gravidade. Mas quem os viu ao vivo sabe que estão longe de se confinar aos ditames da electrónica, sobretudo quando aproveitam orquestrações que ecoam a tendência sedutora de alguma easy listening e registos vocais cuja sensualidade não ficaria nada a dever aos trabalhos de Serge Gainsbourg com Jane Birkin. Há uma face romântica nos Air que consiste na capacidade que evidenciam de reler melodias voluptuosas, aparentemente saturadas até à exaustão, misturando-as com os ritmos calmos de uma canção de embalar. Ao contrário do que aconteceu com alguns dos melhores momentos oferecidos pelo denominado trip hop, os Air não contemplam paisagens urbanas angustiadas nem visões apocalípticas. São o reverso desse universo existencialista, preferindo embalar-nos com a sageza dos melhores hipnotistas. Note-se como um dos grandes momentos do álbum nada perde quando transposto para um palco 10 anos depois de haver sido escrito:


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