terça-feira, 17 de junho de 2014

#30


Um clássico. Toda a gente sabe que Charles Mingus foi um extraordinário contrabaixista. Mingus Ah Um (1959) tem o aliciante de nos mostrar o compositor por detrás do músico na melhor das suas formas. À época, recaía sobre esta formação a nuvem da incerteza. Uma pequena orquestra onde pontificavam o pianista Horace Parlan e o saxofonista Booker T. Ervin, importantíssimos na interpretação de uma música regada com a exaltação do gospel e a sentida melancolia do blues. Mas um tema como Fables of Faubus é muito mais do que um momento inspirado, reúne todos os condimentos, em movimentos distintos e descontinuados, do jazz tal como hoje o admiramos. A dança da secção rítmica, coadjuvada pelo piano quando não entra em voo livre, modelando a fantasia contida dos sopros é um achado. Depois entra o contrabaixo e percebe-se ali o discurso sedutor dos tímidos, com hesitações que originam um andamento sensual. Sensualidade, esta música reflecte uma particular sensualidade – a mesma que reconhecemos nos diálogos do olhar que a noite tenta, as interjeições do título repercutem e a capa sugere. Homenageiam-se o extravagante Jelly Roll Morton e o aristocrático Duke Ellington, cada um à sua maneira príncipes de uma linguagem única. Sugiro a revisitação de Bird Calls, uma outra homenagem que dispensa esclarecimentos.

1 comentário:

manuel a. domingos disse...

álbum do catano! dos meus favoritos