Desde que surgiu à porta do séc. XXI, Devendra Banhart conquistou
o coração dos fãs de singer/songwriters norte-americanos de inclinação melancólica
com apreço pela folk music. Mas Banhart, jovem com educação artística
consistente e ascendência venezuelana, é muito mais do que esse chavão possa
encerrar. O seu universo literário deixa-se povoar de uma ironia
descomprometida, com momentâneas incursões pelo surrealismo que a sensibilidade
musical psicadélica acompanha a preceito. É verdade que as cordas, em registo
acústico, predominam, assim como o culto das gravações rudimentares, embora o
magnífico Cripple Crow (2005) lhes tenha acrescentado um capítulo ambicioso em
termos de produção e qualidade de gravação. É o álbum de Santa Maria da Feira, agradável composição a pensar no público português. O mais interessante,
porém, transborda as fronteiras da simpatia. Disco nómada, este Cripple Crow
percute várias influências, nomeadamente hispânicas, que resultam numa paleta multicolorida onde piano, flauta e vozes de fundo assumem a mensagem pacifista com elegante
nostalgia hippie. Grande momento é este I Feel Just Like a Child:
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