Filho de um cabo-verdiano de apelido Silva, o pianista
Horace Silver (1928-2014) começou por tocar saxofone tenor. Já na década de
1950, afirmou-se como pianista ao lado de músicos tais como Stan Getz, os Jazz
Messengers do baterista Art Blakey ou os All Stars de Miles Davis. Músico de
excelência, rapidamente ganhou igual reputação enquanto compositor. Further
Explorations (1958) mostra-nos essa faceta num período em que melhor se
conjugam na sua vasta obra os ritmos latinos com um fraseado bluesy. Acompanhado
por Art Farmer (trompete), Cliff Jordan (saxofone tenor), Teddy Kotick
(contrabaixo) e Louis Hayes (bateria), Horace Silver desenvolve uma linguagem
que o singulariza pela capacidade de construir melodias onde aparecem
associadas paisagens diversas. A título de exemplo, Safari evoca, sob um ritmo hard
bop, tanto a africanidade fundadora como o exotismo sul-americano,
oferecendo-lhe um erotismo funky que fará escola nos anos subsequentes. Talvez
mais discreto e sóbrio que muitos dos seus contemporâneos, Silver foi igualmente
genial. A ligação à Blue Note é outro dos emblemas da sua carreira, e ainda que
Further Explorations (1958) não seja dos álbuns mais reconhecidos é uma
excelente porta de entrada para um edifício musical erigido sobre o gozo da exploração
sonora.
Sem comentários:
Enviar um comentário