quarta-feira, 25 de junho de 2014

#33


Filho de um cabo-verdiano de apelido Silva, o pianista Horace Silver (1928-2014) começou por tocar saxofone tenor. Já na década de 1950, afirmou-se como pianista ao lado de músicos tais como Stan Getz, os Jazz Messengers do baterista Art Blakey ou os All Stars de Miles Davis. Músico de excelência, rapidamente ganhou igual reputação enquanto compositor. Further Explorations (1958) mostra-nos essa faceta num período em que melhor se conjugam na sua vasta obra os ritmos latinos com um fraseado bluesy. Acompanhado por Art Farmer (trompete), Cliff Jordan (saxofone tenor), Teddy Kotick (contrabaixo) e Louis Hayes (bateria), Horace Silver desenvolve uma linguagem que o singulariza pela capacidade de construir melodias onde aparecem associadas paisagens diversas. A título de exemplo, Safari evoca, sob um ritmo hard bop, tanto a africanidade fundadora como o exotismo sul-americano, oferecendo-lhe um erotismo funky que fará escola nos anos subsequentes. Talvez mais discreto e sóbrio que muitos dos seus contemporâneos, Silver foi igualmente genial. A ligação à Blue Note é outro dos emblemas da sua carreira, e ainda que Further Explorations (1958) não seja dos álbuns mais reconhecidos é uma excelente porta de entrada para um edifício musical erigido sobre o gozo da exploração sonora. 

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