segunda-feira, 16 de junho de 2014

VERÃO




Só acreditarei num mundo em que toda a gente caminhe nua, não gosto de quizomba nem de saltos altos, acho uma macaca a catar piolhos mais sensual do que um decote a insinuar mamilos, não dou pela miss bumbum nem um traque - música pela qual um cu merece prémios -, repugnam-me ideias fixas e, apenas e tão-somente por isso, estou disposto a mudar de opinião se:
me apresentarem alguém que caminhe a 13 centímetros de altura
com a elegância de uma lesma rastejante
ou me provarem que a depilação e a maquilhagem
se fundamentam em princípios estéticos mais nobres do que
a tortura medieval.
Já fiz uma dieta, é certo, à base de vinho branco gelado e pão de sementes barrado com queijo da serra, por cada grama de celulite dou graças a deus (a solidariedade é valor sem cotação), mas, e nestas coisas da faculdade de julgar há sempre um mas, jamais alguma concepção do sublime me obrigará a prescindir do prazer que é ver gordura onde os ossos lampejam, Balzac a apanhar banhos de sol, e Deus, meu Deus, tão grande e omnisciente
esplendorosamente estendido sobre as rugas do tempo como se fosse
uma criança acabada de adormecer.

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