sexta-feira, 4 de julho de 2014

#34


Empurrado para o pântano da fama por causa de uma canção incluída na banda sonora do filme Good Will Hunting (1997), o escritor de canções Elliott Smith (1969-2003) teve uma existência fugaz. No entanto, deixou-nos um legado precioso de canções de que XO (1998) é apenas uma recolha (a quarta). As composições de Smith reinventam aqui o pendor elegíaco de registos anteriores com uma produção elegante, sendo certo que as melodias sobre as quais pronuncia frases desencantadas e inquietas propiciariam, porventura, ambientes depressivos que os arranjos de cordas e sopros conseguem tornar bastante atractivos. Tendo como suporte ora o piano, ora a viola acústica, a voz de Elliott Smith arrasta-nos para refúgios introspectivos e escuros, embora no centro da escuridão surja invariavelmente a luz de uma vela que não é meramente decorativa: é a razão de nos deixarmos arrastar pela cadência geralmente apaixonada, apesar das letras pesarosas. Os dedilhados são perfeitos, permitindo contrastes que poucos dos escritores de canções da mesma geração se deram ao trabalho de explorar. Há uma elaboração melódica nestas canções que as torna imortais:



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