sexta-feira, 11 de julho de 2014

#35


Se o conceito de rock abstracto faz algum sentido, algo que em si mesmo parece contraditório, então os The Fiery Furnaces são o melhor exemplo que temos para dar. Formados em Brooklyn no ano 00, este duo surge na corrente de um revivalismo que teve nos The White Stripes o maior sucesso. Mas a música dos irmãos Eleanor e Matthew Friedberger distanciou-se, desde cedo, dos congéneres pela via menos convencional e mais experimental. Gallowsbird’s Bark (2003), o primeiro álbum, apenas indiciou o que veio a confirmar-se com Widow City (2007) de um modo absolutamente insuperável. As composições dos The Fiery Furnaces resultam de colagens diversas, onde a tendência para brincar com alternâncias rítmicas e melódicas gera uma imprevisibilidade que nada tem que ver com o tradicional rock de três acordes. Tanto podem optar por um registo dadaísta e surrealista como por uma espécie de cubismo sónico, com ressonâncias onde se remisturam elementos oriundos do psicadelismo com outros da pop mais óbvia, guitarras distorcidas a alto nível com arranjos orquestrais de um romantismo épico, mas tudo em breves minutos distribuídos por dezasseis canções. Há uma dimensão claramente irónica na música dos The Fiery Furnaces que consiste em transpor fronteiras, recusar qualquer tipo de barreira à exploração e conjugação de influências musicais. Ex-Guru é, provavelmente, o momento mais radiofónico deste álbum:


Sem comentários: