segunda-feira, 14 de julho de 2014

#36


O tango é a mais sensual das danças. Os Gotan Project entenderam-no como ninguém antes deles no universo da música electrónica, depois de alguns elementos do trio terem morrido de amores, como tantos outros, pelos ritmos brasileiros. Philippe Cohen Solal é francês de gema, Eduardo Makaroff nasceu em Buenos Aires, Christoph H. Müller é suíço. Os três formam este estimulante projecto que, logo à entrada do séc. XXI, voltou a atrair atenções para o tango. Ao percorrermos Best Of (2011) percebemos que o travestimento da tradição não é meramente decorativo, como por vezes acontece na chamada worldbeat. Se em alguns temas a cedência aos géneros de entretenimento podem induzir uma certa superficialidade, a verdade é que pelo meio vislumbramos apontamentos musicais extraordinariamente sofisticados. A melancolia típica do tango não se afunda nos ritmos serpenteantes que apelam à dança, flutuando antes com melodias que o piano, as cordas, a concertina se encarregam de celebrar. Os Goten Project são, antes de mais, a celebração de um género através da apropriação do legado tradicional sul-americano, que não fere de morte a voluptuosidade nostálgica da música cujas raízes resolveram regar com a ambígua seiva da modernidade. Lembrei-me deles ontem por causa deste tema:

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