Entre outras virtudes, a Noruega tem a de ser um apreciável
viveiro musical. Já aqui referi nomes oriundos dessas paragens nórdicas tais
como os Biosphere ou os Röyksopp, as composições a solo de Erlend Øye e as
imperdíveis viagens do trompetista Nils Petter Molvær. Mais recentemente, que é
como quem diz já lá vão dez anos, deixei-me seduzir pelas canções de Hanne
Hukkelberg. Little Things (2005), o álbum de estreia, é um objecto tão estranho
quanto irresistível. Hukkelberg tem uma voz doce que procurou beber de um modo
personalizado trejeitos das grandes divas do jazz (de Bessie Smith a Billie
Holiday, de Dinah Washington a Ella Fitzgerald). No entanto, não se trata de um
registo de colagem. É, antes, uma identificação natural que se processa sobre
bases musicais distintas. A música que suporta as canções de Hanne Hukkelberg revela-se
inclassificável. Vislumbramos, a espaços, elementos jazzísticos, diálogos aparentemente
aleatórios e abstractos entre instrumentos vários (harpa, teremim, bandolim,
tuba, banjo, sintetizador…), apontamentos lúdicos com instrumentos de percussão,
sendo que do caos sonoro inicial acaba sempre por surdir uma melodia encantadora
e cativante como, por exemplo, a do tema final, intitulado Boble:
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