quarta-feira, 23 de julho de 2014

#38


As fotografias de Seth Smoot reproduzidas no terceiro álbum dos Interpol mostram-nos animais num contexto selvagem, estando longe, porém, do naturalismo da fotografia jornalística. Encenam, antes, contextos onde a natureza adquire uma plasticidade museológica. Assim é a música de Our Love to Admire (2007), recolha admirável que só muita falta de imaginação pode reduzir ao revivalismo neodepressivo que atacou imensas bandas norte-americanas na tensão pré-milenar. Mais do que sombria, a atmosfera dos Interpol irrompe da neblina com a energia de uma secção rítmica em chamas. As guitarras rasgam a textura polida das canções, projectam a voz de Paul Banks, geralmente cativa de um a fúria contida, para uma dimensão erotizada pelo discurso estranhamente sedutor das letras. Rest My Chemistry, um dos melhores momentos do álbum, ergue-se nessa fase da crise onde a saturação procura remédio, é uma canção crepuscular entalada entre o riff sinuoso de All Fired Up e o ritmo frenético de Who Do You Think. O rock dos Interpol tem esta faceta de conseguir gerar contrastes sobre uma base simples e objectiva, adoptando uma postura nevrótica que pouco tem que ver com os maneirismos das bandas congéneres britânicas. Mesmo tendo sido mal escolhido, aí fica o single que serviu de apresentação para o álbum:


1 comentário:

manuel a. domingos disse...

uma das minhas bandas da actualidade