As fotografias de Seth Smoot reproduzidas no terceiro álbum
dos Interpol mostram-nos animais num contexto selvagem, estando longe, porém,
do naturalismo da fotografia jornalística. Encenam, antes, contextos onde a
natureza adquire uma plasticidade museológica. Assim é a música de Our Love to
Admire (2007), recolha admirável que só muita falta de imaginação pode reduzir
ao revivalismo neodepressivo que atacou imensas bandas norte-americanas na tensão
pré-milenar. Mais do que sombria, a atmosfera dos Interpol irrompe da neblina
com a energia de uma secção rítmica em chamas. As guitarras rasgam a textura polida
das canções, projectam a voz de Paul Banks, geralmente cativa de um a fúria contida,
para uma dimensão erotizada pelo discurso estranhamente sedutor das letras. Rest
My Chemistry, um dos melhores momentos do álbum, ergue-se nessa fase da crise
onde a saturação procura remédio, é uma canção crepuscular entalada entre o
riff sinuoso de All Fired Up e o ritmo frenético de Who Do You Think. O rock
dos Interpol tem esta faceta de conseguir gerar contrastes sobre uma base
simples e objectiva, adoptando uma postura nevrótica que pouco tem que ver com
os maneirismos das bandas congéneres britânicas. Mesmo tendo sido mal
escolhido, aí fica o single que serviu de apresentação para o álbum:
1 comentário:
uma das minhas bandas da actualidade
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