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Envelhecer é ir assistindo ao desaparecimento das nossas
referências.
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Percebes que a cada ano que passa estás mais velho porque
a cada ano que passa são mais as referências que (te) desaparecem.
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Desaparecer não é o mais adequado dos verbos para a
morte. Os mortos não desaparecem, nem sequer deixam de existir. Os mortos renunciam.
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A morte agudiza a consciência, obriga a aproveitar a
vida.
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Relativizar a relevância dos fenómenos: conhecimento.
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Desde cedo embrenhado no mundo da filosofia, contra todas
as espectativas adquiriu o mais prático dos sentidos da vida.
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Uma teoria filosófica apenas complexifica para tornar
tudo mais claro e simples.
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Perante a consciência da morte, a felicidade surge quase
como obrigação. Mas não se força. Aprende-se, desde logo, aceitando com alegria
a felicidade dos outros mesmo quando nos sentimos no mais fundo dos desesperos.
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Não pretender para os outros o que não quero para mim
pode não ser a melhor das políticas. Os outros podem querer o que eu não quero
para mim. E isso é respeitável.
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Nada impor.
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Só os néscios ameaçam de morte. A única ameaça eficaz é o
sofrimento.
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Envelhecer sem sofrimento pressupõe uma contradição nos
termos. Ou então pressupõe a pior das ignorâncias. Há quem lhe chame
indolência.
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Não é difícil constatar que a maioria das pessoas se
entretém com futilidades, embora isso não determine a sensibilidade ou
a insensibilidade que têm. Apenas condiciona o modo de olhar para as coisas.
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Há que ser cuidadoso na análise de um tecido social como
o nosso. Ao reduzirmos o povo à mediocridade das elites políticas
reiteradamente eleitas, deixamos na penumbra uma maioria de insatisfeitos. Os
que perdem e os que nem sequer vão a jogo.
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É um facto que a estupidez reina no mundo. Se assim não
fosse, o saber seria um bem trivial.
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Eu morro, tu morres, ele morre, nós morremos, vós
morreis, eles morrem. Andamos todos a fazer pela vida, uns respeitando-se mais a si próprios do que os outros.
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“Estar vivo é estar à morte” — nesta simplicidade, uma
filosofia inteira.
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Nunca conseguirei entender as pessoas que ocupam a maior
parte do seu tempo de vida a dizer mal dos outros. Julgar-se-ão eternas?
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Sempre as sociedades foram compostas pelos que mandam e
pelos que são mandados. Regra geral, os primeiros vivem num conforto que os
segundos nunca sentirão. Por vezes, os segundos logram importantes conquistas
para si próprios. No fim, todos morrem.
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Não existem filosofias baratas, apenas banalidades.
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Lutar por uma vida melhor: o menos social possível.
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2 comentários:
Muito sábios os conselhos. Até pela simplicidade que é colocada.
Grato.
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