sexta-feira, 19 de setembro de 2014

#44


Em 1994, Beck agitou o mundo da pop com um conjunto de colagens eclécticas reunidas em Mellow Gold. Sem o mesmo impacto, outros músicos arriscaram na mesma época linguagens musicais idênticas. Veja-se o caso de Mark Ramos-Nishita, improvável resultado do cruzamento de uma mexicana com um japonês, que antes de se estrear a solo colaborou durante alguns anos com os The Beastie Boys. Adoptando a designação de Money Mark, apenas revelou o seu trabalho a solo em 1995. Mas já tinha deixado para trás um historial de colaborações bastante apreciável. Push the Button (1998), o segundo álbum, mostrou um músico extraordinariamente eficaz na composição de canções ao mesmo tempo divertidas e orelhudas, exibindo um leque notável de influências sem resvalar numa descaracterização grotesca. Apesar da rede ser claramente pop, com melodias atraentes e um registo vocal sedutor, Money Mark passeia-se com desenvoltura pela soul (All the People é uma balada irresistível), pelo funk a la George Clinton, pela bossa nova, pelos ritmos latinos, acrescentando-lhes referências hip-hop e electrónicas capazes de alternar momentos de pura descontracção com gatafunhos provocantes e espontâneos. É o típico registo que os críticos gostam de classificar de desequilibrado, omitindo, por vezes, que toda a graça reside precisamente nesse desequilíbrio.


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