Os Pram são uma banda inglesa algo obscura que tem na
liderança de Rosie Cuckston o principal alicerce de uma identidade a remeter
para os medos e as fragilidades da infância. A voz de Rosie aparece geralmente
abafada pela parafernália de sons arrancados a instrumentos convencionais e a
brinquedos, sendo contudo perceptíveis os versos perturbados e perturbadores que
oferecem sustento a ambientes tão sinistros quão hipnóticos. I carry this torn
world like a weight / In my heart, sussura-se em Earthing and Protection
enquanto os xilofones, a trompete, o teremim inventam paisagens subaquáticas
para universos onde a luz apenas chega de um modo muito ténue. O facto de
alternarem temas completamente instrumentais com aproximações ao formato canção
fez com que fossem associados ao movimento post-rock, sendo também frequentes
as comparações com os Stereolab. Todavia, ainda que os Pram sejam um laboratório
de sonoridades e aceitem algumas influências provenientes do free jazz, estão
longe de se enquadrar em qualquer uma das conveniências. A graça deste Sargasso
Sea (1995) reside precisamente na singularidade com que se aproximam muito mais
do imaginário plástico de um Hans Bellmer do que das referências musicais com
as quais costumam ser comparados.
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