segunda-feira, 20 de outubro de 2014

#47


Os Pram são uma banda inglesa algo obscura que tem na liderança de Rosie Cuckston o principal alicerce de uma identidade a remeter para os medos e as fragilidades da infância. A voz de Rosie aparece geralmente abafada pela parafernália de sons arrancados a instrumentos convencionais e a brinquedos, sendo contudo perceptíveis os versos perturbados e perturbadores que oferecem sustento a ambientes tão sinistros quão hipnóticos. I carry this torn world like a weight / In my heart, sussura-se em Earthing and Protection enquanto os xilofones, a trompete, o teremim inventam paisagens subaquáticas para universos onde a luz apenas chega de um modo muito ténue. O facto de alternarem temas completamente instrumentais com aproximações ao formato canção fez com que fossem associados ao movimento post-rock, sendo também frequentes as comparações com os Stereolab. Todavia, ainda que os Pram sejam um laboratório de sonoridades e aceitem algumas influências provenientes do free jazz, estão longe de se enquadrar em qualquer uma das conveniências. A graça deste Sargasso Sea (1995) reside precisamente na singularidade com que se aproximam muito mais do imaginário plástico de um Hans Bellmer do que das referências musicais com as quais costumam ser comparados.

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