quarta-feira, 29 de outubro de 2014

#48


Pouco referidos por cá, embora pratiquem um género de canção introspectiva capaz de agradar a muita hipersensibilidade neo-depressiva, os Radar Bros. formaram-se em Los Angeles no início da década de 1990. O álbum homónimo surgiu em 1996, sendo The Singing Hatchet (1999) o segundo tomo a considerar numa discografia que conta com pelo menos meia dúzia de álbuns originais. Naquela época, a banda de Jim Putnam levou com o rótulo slowcore/sadcore. A razão para tal consiste em canções lentas, de arranjos simples, para instrumentos convencionais. Guitarra, baixo e bateria são a conjugação mais comum, intrometendo-se por vezes um piano singelo ou um sintetizador muito subtil. Ainda assim, as canções de Putnam logram uma sofisticação que os Low ou os Codeine nunca procuraram. As bandas com as quais mais facilmente se comparariam à época seriam os Spain ou os Red House Painters, tendo os Radar Bros. inflectido posteriormente em direcções alternativas que de algum modo os distanciaram desse universo. Em termos líricos, Putnam transcende as limitações da tradicional canção sobre corações partidos enveredando por temáticas onde a religião e a hipocrisia social transparecem uma desconfiança sobre as virtudes da humanidade. Infelizmente, não encontrei nenhum vídeo deste registo. Podem, porém, escutar aqui uma das canções mais fortes do álbum.

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