Pouco referidos por cá, embora pratiquem um género de canção
introspectiva capaz de agradar a muita hipersensibilidade neo-depressiva, os
Radar Bros. formaram-se em Los Angeles no início da década de 1990. O álbum homónimo
surgiu em 1996, sendo The Singing Hatchet (1999) o segundo tomo a considerar
numa discografia que conta com pelo menos meia dúzia de álbuns originais. Naquela
época, a banda de Jim Putnam levou com o rótulo slowcore/sadcore. A razão para
tal consiste em canções lentas, de arranjos simples, para instrumentos
convencionais. Guitarra, baixo e bateria são a conjugação mais comum,
intrometendo-se por vezes um piano singelo ou um sintetizador muito subtil. Ainda
assim, as canções de Putnam logram uma sofisticação que os Low ou os Codeine nunca
procuraram. As bandas com as quais mais facilmente se comparariam à época seriam
os Spain ou os Red House Painters, tendo os Radar Bros. inflectido posteriormente
em direcções alternativas que de algum modo os distanciaram desse universo. Em termos
líricos, Putnam transcende as limitações da tradicional canção sobre corações
partidos enveredando por temáticas onde a religião e a hipocrisia social
transparecem uma desconfiança sobre as virtudes da humanidade. Infelizmente, não
encontrei nenhum vídeo deste registo. Podem, porém, escutar aqui uma das canções
mais fortes do álbum.
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