terça-feira, 4 de novembro de 2014

#49


Dizer que ao terceiro álbum, este Ladies and gentlemen we are floating in space (1997), os Spiritualized almejaram um lugar na história da música vale o que vale. Pouco, se pensarmos noutros registos igualmente empolgantes que a mesma história tem vindo a consumir nas chamas do esquecimento. A verdade é que a banda de Jason Pierce (aka J Spaceman) e John Coxon legou-nos um momento absolutamente irresistível de encontro entre várias expressões musicais, do rock, na sua raiz mais bluesy (nunca a harmónica foi tão bem aproveitada na década de 1990), ao gospel, do gospel ao jazz, do jazz à música erudita, com orquestrações épicas, coros cuja espiritualidade faz implodir a própria noção de espírito, secções de sopros desvairadas, guitarras em transe, evocações purificadoras que transformam a música em pura medicina. O design de capa não é ingénuo. Este álbum, na articulação que opera entre instantes introspectivos e exercícios de relaxamento, com texturas meditativas cativantes e circunstâncias de expansividade sónica próxima do psicadelismo mais alucinado, produz efeitos terapêuticos comprovados. A dimensão sinfónica das composições transcende, porém, o truque hipnotizante da repetição exaustiva, arriscando tudo em alternâncias rítmicas que tanto permitem levitar sobre campos geometricamente perfeitos como desbravar os terrenos de uma confusa selva de paixões. Adrenalina e comoção:


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