Ao contrário de Camilo Pessanha ou de Cesário Verde, que
deixaram, como se diz, obras breves mas de uma extrema intensidade poética,
Gabriel Arcanjo investiu toda a sua produção poética na produção de plaquettes.
Também não seguiu o exemplo de Rimbaud, que escreveu curto e durante pouco
tempo dedicando-se em fase adiantada da maturação intelectual a actividades
mais nobres do que a poesia. Tipo tráfico de escravos. Não, Gabriel Arcanjo
escreveu e publicou até ao termo de uma vida repleta de peripécias que não nos
cabe divulgar. Morreu aos quarenta anos, legando dezenas de plaquettes
começadas a publicar quando contava apenas 17 primaveras. A uma média de três
por ano, foram, se não nos falham as contas, 69 títulos publicados cada qual com
as suas meticulosas 33 páginas. Um total de 2277 páginas publicadas em vida,
reunidas postumamente nas obras completas que levaram o título por demais
conhecido Todas as Plaquettes. Poucos autores podem gabar-se de monumento tal à
literatura, a qual nunca se mediu a metro nem se apurou ao peso. Valha-nos
isso.
3 comentários:
Tão dorido e pungente, tão lacerante e autêntico. Como se todo o ser fosse um desmedido hematoma e dissesse não, não, não ao thrombocid. Nem o "pirulito" nem os "lenços enchouriçados" logram esvaecer pathos tão pathoso. De levar às lágrimas, de nos lavar em lágrimas... Recomendo.
http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=4466937&seccao=Livros
Agradeço a recomendação. Gosto muito de ler o Daniel Jonas, mas confesso que ao ouvi-lo me lembrei do Inri Cristo.
Sabia que ias apreciar. E agora é que não há mesmo ironia nenhuma.
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