sexta-feira, 17 de abril de 2015

#60



Quando os vi em 1997, no Passeio Marítimo de Algés, entalados entre Skank e Apocalyptica, os Echo & The Bunnymen já haviam perdido o fulgor que os caracterizara durante a década de 1980. Confesso, no entanto, que lhes cheguei tardiamente, através de Mysterio (1992), álbum a solo de Ian McCulloch, e da versão nele incluída de um original de Leonard Cohen: Lover, Lover, Lover. Só depois procurei saber um pouco mais sobre os Echo & The Bunnymen, cujo primeiro long play datava de 1980. Porcupine (1983) foi o terceiro álbum, aquele que hoje se me afigura mais exigente do ponto de vista da composição, com arranjos singulares e sofisticados, mas de uma consistência irrepreensível. Uma linha obscura, com citações provenientes tanto da música árabe (escute-se atentamente o início de The Cutter ou todo o tema Heads Will Roll) como da tradição barroca que os góticos de então assimilavam de um modo informal, granjeou-lhes um público diverso, carente de atmosferas que superassem o niilismo punk com uma nova espécie de sincretismo onde a transcendência voltava a ser tema. Os títulos dos temas são reveladores: My White Devil, Clay, Higher Hell, Gods Will Be Gods… O sucesso do single The Cutter fez os seus estragos, com cedências posteriores a um facilitismo pop que nunca mais recuperou a aura conquistada com este Porcupine:


2 comentários:

manuel a. domingos disse...

tens toda a razão quando afirmas que o sucesso deste single fez os estragos. é ouvir com atenção "Ocean Rain", álbum menor, quanto a mim, de uma carreira fantástica (até Porcupine).

manuel a. domingos disse...

no entanto: sou mais adepto deste

http://www.meianoitetododia.blogspot.pt/2015/03/discos-pedidos-135.html