Ao quarto álbum, os The War on Drugs, que em boa verdade acolhem
o talento de um rapaz chamado Adam Granduciel, saltaram para os escaparates
promovidos pelos best of de final de ano. Quem passe desatentamente os ouvidos
por Lost In The Dream (2014) ficará desiludido, pois não se trata de uma colecção
de hits inquestionáveis. Antes pelo contrário. Lost in The Dream reúne 10
composições com uma agradável sensibilidade revivalista, actualizada pela
utilização de inúmeros instrumentos com nomes estranhos. Talvez a referência
mais óbvia sejam os Fleetwood Mac pós-Peter Green, sendo que as canções de Granduciel
extravasam inequivocamente os territórios algo sensaborões da pop-rock. Uma balada
como Suffering podia servir de argumento na defesa de um traço criativo que
busca em sequências minimalistas estranhos e inusitados apontamentos melódicos.
Para o efeito contribui a utilização recorrente de efeitos de guitarra que estávamos
mais habituados a ouvir em bandas de rock progressivo, a quase ausência de refrães,
substituídos por uma intensificação vocal que acompanha o preenchimento do
espaço sonoro por uma instrumentação exigente. Alguns temas têm durações
incomuns para o que hoje se pratica, entre os seis e os nove minutos, não se
tornando desinteressantes nem monótonos. Curiosamente, o tema mais breve é um
instrumental intitulado The Haunting Idle — improviso de guitarra eléctrica
reverberando ambientes inexplorados, subitamente interrompido por esta magnífica
citação springsteeneana:
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Viciante
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