quinta-feira, 28 de maio de 2015

#62


A jovem Laura Marling surgiu em Inglaterra na ressaca do nu-folk, etiqueta algo forçada para escritores de canções inspirados numa tradição desconstruída sob a influência de melodias pop e atitudes rockeiras. Do rosto imberbe, ornado pela cabeleira loura, solta-se porém uma voz poderosa, à qual se acrescenta o domínio apreciável da guitarra e alguma ousadia lírica que pode soar ingénua a quem busque nas suas canções o que elas não pretendem oferecer. Ao quinto álbum é natural que as ideias estejam mais maturadas, as composições revelem uma solidificação de processos que o imediatismo dos primeiros álbuns encantava sem surpreender. Short Movie (2015) é um conjunto de treze canções onde ecoa tanto o espírito de Nick Drake como as forças vivas de P. J. Harvey (False Hope), Aimee Mann (Walk Alone) ou Ani DiFranco (Strange)… A palavra alone repete-se insistentemente nestes temas, ajustados ao contexto de histórias onde paixões obsessivas, o medo da solidão, uma certa claustrofobia doméstica e a absoluta necessidade de autonomia geram paradoxos existenciais violentos: «He fearing solitude, began to beg / When he saw I was sure, stuck a knife into my leg / Good luck walking on in your own bloody trail / This noble path you’re on will send us both to hell». A tendente americanização do som de Marling faz aparecer entre as linhas de guitarra violinos distorcidos, arranjos que enchem o som de uma angústia enraivecida que transforma as canções em retratos abrasivos do abandono, da separação e de uma irónica consciência da vida doméstica:



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