A jovem Laura Marling surgiu em Inglaterra na ressaca do
nu-folk, etiqueta algo forçada para escritores de canções inspirados numa
tradição desconstruída sob a influência de melodias pop e atitudes rockeiras. Do
rosto imberbe, ornado pela cabeleira loura, solta-se porém uma voz poderosa, à
qual se acrescenta o domínio apreciável da guitarra e alguma ousadia lírica que
pode soar ingénua a quem busque nas suas canções o que elas não pretendem
oferecer. Ao quinto álbum é natural que as ideias estejam mais maturadas, as
composições revelem uma solidificação de processos que o imediatismo dos
primeiros álbuns encantava sem surpreender. Short Movie (2015) é um conjunto de
treze canções onde ecoa tanto o espírito de Nick Drake como as forças vivas de
P. J. Harvey (False Hope), Aimee Mann (Walk Alone) ou Ani DiFranco (Strange)… A
palavra alone repete-se insistentemente nestes temas, ajustados ao contexto
de histórias onde paixões obsessivas, o medo da solidão, uma certa claustrofobia
doméstica e a absoluta necessidade de autonomia geram paradoxos existenciais
violentos: «He fearing solitude, began to beg / When he saw I was sure, stuck a
knife into my leg / Good luck walking on in your own bloody trail / This noble
path you’re on will send us both to hell». A tendente americanização do som de
Marling faz aparecer entre as linhas de guitarra violinos distorcidos, arranjos
que enchem o som de uma angústia enraivecida que transforma as canções em
retratos abrasivos do abandono, da separação e de uma irónica consciência da
vida doméstica:
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