domingo, 23 de agosto de 2015

#64


No manifesto que acompanha Fleet Foxes (2008), primeiro álbum da banda com o mesmo nome, podemos perceber a devoção à música, quase religiosa, cultivada pelos membros da banda: I can listen to music and instantly be anywhere that song is trying to take me. Music activates a certain mental freedom in a way that nothing else can, and that is so empowering. You can call it escapism if you like, but I see it as connecting to a deeper human feeling than found in the day-to-day world. Gravadas maioritariamente em casa, ou nas casas de familiares e amigos, as canções que compõem o álbum reflectem essa devoção nas múltiplas evocações que manifestam — de Brian Wilson a Debussy, de Paul Simon a Gilberto Gil, etc. —, mas também uma dimensão intimista que oferece a cada um dos temas uma paisagem afectiva altamente singular. Editado pela Sub Pop, editora que, na década de 1990, ficou na memória de todos os fãs de grunge, Fleet Foxes aproxima-se mais do rock de inspiração rural praticado nas décadas de 1960 e 1970 na linha de uns Buffalo Springfield ou Crosby, Stills, Nash & Young. As melodias acústicas (violas, banjo, flauta...), acompanhados por arranjos vocais que ecoam influências country e folk, fazem das composições assinadas por Robin Pecknold bilhetes de passagem para uma deslocação no tempo e no espaço mentais de quem busque nas memórias mais delicadas uma espécie de som original. Um som que nos chega trazido pelo vento e faz vibrar as cordas da harpa no cimo da montanha. Ainda por cima têm bom aspecto:


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