quarta-feira, 2 de setembro de 2015

#65



Para a Filipa e para o Nuno.

Penso ser pacífica a opinião segundo a qual parte do sucesso da filmografia de Emir Kusturica se deve à colaboração com o músico Goran Bregovic, fazendo recordar outras parcerias congéneres com resultados brilhantes tais como a de Sergio Leone com o enorme Ennio Morricone. Eugene Hütz, a excêntrica alma ucraniana por detrás dos Gogol Bordello, aproveitou a boleia de Kusturica e Bregovic e pegou na tradição cigana dos Balcãs para experimentar algo festivo, alienante, satírico, grotesco, capaz de sacar ao ouvinte, em doses excessivas, esgares de hilaridade e de loucura com canções que têm tanto de protesto como de pura diversão. No tema American Wedding, denunciador do espírito capitalista sensaborão, com casamentos sem vodka, nem copo de água nem fanfarra, surgem versos muito a propósito: «So be you Donald Trump / Or be an anarchist / Make sure that your wedding / Doesn’t end up like this». Numa espécie de punk cigano, Gogol Bordello retrata freneticamente a vida da diáspora que espalha pelo mundo a tradição do seu lugar de origem. Um lugar algo transfronteiriço, diga-se, que pode incluir tanto a Ucrânia como a Hungria, a Áustria como a Polónia, a Itália como a Sérvia… Super Taranta! (2007), porventura o mais consistente dos seus álbuns, congrega estilos, faz com a música cigana o que bandas como os The Pogues fizeram com a tradição irlandesa em décadas anteriores. Mais provocador é impossível:


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