Para a Filipa e para o Nuno.
Penso ser pacífica a opinião segundo a qual parte do sucesso
da filmografia de Emir Kusturica se deve à colaboração com o músico Goran
Bregovic, fazendo recordar outras parcerias congéneres com resultados
brilhantes tais como a de Sergio Leone com o enorme Ennio Morricone. Eugene Hütz,
a excêntrica alma ucraniana por detrás dos Gogol Bordello, aproveitou a boleia
de Kusturica e Bregovic e pegou na tradição cigana dos Balcãs para experimentar
algo festivo, alienante, satírico, grotesco, capaz de sacar ao ouvinte, em
doses excessivas, esgares de hilaridade e de loucura com canções que têm tanto
de protesto como de pura diversão. No tema American Wedding, denunciador do
espírito capitalista sensaborão, com casamentos sem vodka, nem copo de água nem
fanfarra, surgem versos muito a propósito: «So be you Donald Trump / Or be an anarchist
/ Make sure that your wedding / Doesn’t end up like this». Numa espécie de punk
cigano, Gogol Bordello retrata freneticamente a vida da diáspora que espalha
pelo mundo a tradição do seu lugar de origem. Um lugar algo transfronteiriço, diga-se,
que pode incluir tanto a Ucrânia como a Hungria, a Áustria como a Polónia, a Itália
como a Sérvia… Super Taranta! (2007), porventura o mais consistente dos seus álbuns,
congrega estilos, faz com a música cigana o que bandas como os The Pogues
fizeram com a tradição irlandesa em décadas anteriores. Mais provocador é
impossível:
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