quinta-feira, 5 de novembro de 2015

#68



Uma referência aos britânicos Gomez no álbum Universal Themes fez-me regressar a este In Our Gun (2002), o terceiro álbum de estúdio de uma banda que havia prometido imenso com o álbum de estreia, Bring It On (1998), mas que acabou por se perder no pântano despersonalizante do ecletismo. Algo na sombra do que Beck encetara com Mellow Gold (1994), os Gomez alicerçaram o seu processo criativo na assimilação de diversas influências. Guitarras acústicas atacadas nos bordões, ritmos alternantes com riffs respigados no universo blues, secções de sopros provenientes da soul norte-americana, harmónicas desabridas do Mississípi, alguma tecnologia dub a condimentar o refogado geral, dão corpo a 13 canções que testam os limites da confluência de géneros. O tema que ofereceu o título à recolha, por exemplo, começa como uma vulgar balada folk (viola acústica + harmónica), evolui para uma pop de contornos românticos (com sintetizador e guitarra eléctrica a sublinhar as linhas melódicas) e termina com uma alucinante e vibrante explosão electrónica. Em linha com os “conterrâneos” The Stone Roses e Primal Scream, talvez os Gomez não venham a ser tão saudosos. Contudo, e apesar de por vezes parecer algo datado, In Our Gun não se livra de ser um excelente álbum com peças inesquecíveis tais como esta Sound of Sounds:


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