quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

#70


Surgidos em meados da década de 1980, os American Music Club contaram desde a primeira hora com o talento de Mark Eitzel para compor canções. San Francisco (1994) constituiu um derradeiro esforço para manter de pé uma banda com seis álbuns de originais no curriculum, homenagem à cidade berço e registo agregador de géneros e de fórmulas explorados nos títulos antecedentes. Pop, rock dito alternativo, folk, aquilo a que à época se apelidava de americana (baladas cinzentas à base de guitarras acústicas) em idade matura mas já sem a capacidade de surpreender de outros tempos, ainda que temas como Fearless ou In The Shadow Of The Valley se contem entre os mais intensos da banda. San Francisco não foi bem recebido quando apareceu, mas escutado mais de vinte anos depois (como o tempo passa!) faz-nos sentir uma certa saudade dos tempos em que canções como as aqui reunidas podiam ser consideradas menores. Falam de encontros e desencontros amorosos, derivas e perdições, e ainda que tenham o amor como tema central desviam-se do sentimentalismo balofo de muitas das bandas da época com apontamentos irónicos sobre a alegria de viver: «Like he said: when the light goes out so does your fear / And you only see beauty as it begins to disappear» (in How Many Sic Packs Does It Take To Screw In A Light?). O contraste é entre a tristeza e a breve suspensão da melancolia em momentos de efémera iluminação, como quando se mete férias das dores deixadas pelo abandono em Cape Canaveral (quem não conheça, siga o link; quem conheça, siga na mesma):


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