segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

#72


Nestas ocasiões, perante a proliferação de declarações de amor para a vida eterna, é costume haver quem se interrogue: então mas agora toda a gente gosta do artista? A dúvida é pertinente, mas não faz sentido neste caso. David Bowie foi sempre muito popular, independentemente dos altos e dos baixos experimentados ao longo de 50 anos. Não era um artista underground, sendo especialmente relevante sublinhar como conseguiu aliar a qualidade à popularidade. Apesar disso, não posso deixar de recordar as circunstâncias em que o vi ao vivo uma única vez. Foi em 1996, na segunda edição do festival Super Bock Super Rock. Fui sozinho. Quem costumava acompanhar-me nessas aventuras preferiu ficar em casa, como a maioria dos portugueses, a assistir a um jogo da selecção nacional de futebol. Aliás, a produtora do festival viu-se obrigada, nesse ano, a escancarar as portas dada a fraca venda de bilhetes. Eu estive lá, à borla, como já tinha estado em 95, para ver os The Jesus and Mary Chain e os The Cure, ou em 97, para ver Echo & The Bunnymen. Bowie tinha-se apresentado em 1990 no Estádio José Alvalade, mas nesse ano, com apenas 15 anos feitos, não me foi permitido mais do que estrear-me em matéria de concertos com os The Rolling Stones. Em 96 o autor de Starman encontrava-se na menos popular das suas versões, novamente de braço dado com Brian Eno e com um ambivalente 1. Outside na bagagem. Gosto desse álbum, não tanto quanto guardei num lugar especial a chamada trilogia de Berlim: Low (1977), Heroes (1977) e Lodger (1979). Mas é difícil escolher um álbum de David Bowie como sendo o mais representativo. Talvez o melhor seja optar por uma recolha de singles e escolher aquela canção:


2 comentários:

manuel a. domingos disse...

uma versão fantástica

hmbf disse...

Original de Dimitri Tiomkin, compositor fantástico ao qual me tenho referido bastante a propósito de música para filmes de cowboys: "Rio Bravo", "Duelo ao Sol", "Red River", "Duelo de Fogo", "O Último Comboio de Gun Hill" ou o incomparável "O Comboio Apitou Três Vezes" (http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.pt/2013/11/high-noon-1952.html). Isto anda tudo ligado.